23.

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Luanna POV ON

Esfrego os meus olhos calmamente e olho em redor.

Um novo dia, num sítio que eu escusava estar. Odeio tanto hospitais, é tanta mágoa misturada em alegria, dor...

"Luanna?" Sigo a voz que me chamara com o olhar e deparo-me com Kate, sentada no sofá ao lado da cama onde eu estava deitada; envergava roupa informal, já não sendo o vestuário que nos vestiam nos hospitais, normalmente e o bebé dela no colo. Os seus lábios vestiam, também, um sorriso tão sincero, como eu nunca antes tinha visto — era irreconhecível qualquer mágoa que sentisse.

"Kate." Murmuro e fecho calmamente as pálpebras que pesavam. "Revela-me o motivo desse sorriso."

"Eu pensei tanto nas palavras que ontem me disseste e... Eu vou ser independente. Vou ter que ir para um hotel durante estes dias, pelo menos até ter algum dinheiro a mais comigo, mas eu vou conseguir. Só eu e o pequeno Jacob." Ela agarrou a minha mão; num ápice, senti a mesma humedecer e logo percebi que a rapariga chorava, lágrimas de alegria.

Abro os meus olhos novamente e esboço um doce sorriso em resposta ás suas palavras.

Tenho orgulho dela mas ao mesmo tempo, medo, porque ela não está em boas mãos (nem o Jacob) pelo que a Dr.ª Dianne me revelou, ela está metida em negócios da droga e o álcool é um grave problema dela. Foi a psiquiatra dela que pediu à assistência social para lhe retirar a criança, ainda que ela não o saiba. Mais cedo ou mais tarde vão tirar-lhe o filho; não tem condições de habitação, higiénicas e alimentares.

"Kate, sabes que é perigoso andares sempre a trocar de casa com um recém-nascido, não sabes? Ficas sem a guarda do teu filho!" Decido ser honesta com ela.

"Eu sei mas..." Os seus olhos, num ápice, ficam vermelhos e vidrados. "Tenho que conseguir. Estou confiante que atingirei os meus objetivos."

"Até arranjar emprego é complicado, não podes pensar que é tudo um mar de rosas..." Deixo um suspiro escapar e encaro-a, com a cabeça baixada, provavelmente para não me encarar nos olhos.

Levanto-me daquela cama e caminho até ela, acariciando o seu ombro.

"Bom dia, Luanna. Tem aqui uma chamada do Sr. Robert Edward." A Dr.ª Dianne entra no quarto onde outras duas raparigas mães, estavam, também, instaladas. Arqueio a sobrancelha.

"Não conheço ninguém com esse nome." Pronuncio.

"O senhor insistiu." Salientou. Espera,... Edward?

Não evito uma gargalhada e pego no telemóvel, encostando-o ao ouvido. Esboço um curto sorriso à minha doutora, e saio do quarto, começando a caminhar pelos corredores para ter mais privacidade.

"Robert Edward." Murmuro e gargalho, segundos depois.

"Luanna Perez." Mordo o meu lábio inferior, com um certo receio em relação ás seguintes palavras que ele irá pronunciar. "A Christine irá buscar-te dentro de meia hora, pode ser? Precisamos de ter uma longa conversa. Mas primeiro, quero saber, é menino ou menina?"

"Robert, ainda não se sabe." Profiro, animadamente. "Eu amo-te. Perdoa-me, eu sei que o que te fiz é horrível mas não sabia como o dizer sem te assustar, perder-te seria um pesadelo." Encosto-me a uma parede, esperando que ele dissesse algo – mas apenas obti um suspiro que calculei que já estivesse a guardar para ele há bastante. "Por favor."

"Isto está cada vez pior. Eu não vou puder assistir ao nascimento do meu segundo filho por causa da tour, ainda temos o casamento planeado... Luanna, isto estragou todos os meus planos." Cerro os olhos e deixo as lágrimas presas caírem em consequência das suas brutas palavras.

"Tudo bem." Apenas consigo dizer, no meio de soluços.

"Eu assumirei. Mas... É complicado. Eu ainda sou muito novo para ter dois filhos, eu devia estar a viver o meu sonho, porém, só aparecem problemas na nossa relação."

"Harry," Pronuncio, com rancor. "O que está dentro de mim, também é teu e não é nenhum problema, é prova do nosso amor. Talvez os nossos filhos sejam a única coisa que temos em comum, eu não quero ser o teu brinquedo para sempre. Mais cedo ou mais tarde isto vai ter um fim." Limpo as minhas lágrimas.

"Luanna, tu não me percebeste!"

"Percebi. Falamos mais logo."

"Luanna, ouve, eu amo os nossos filhos e..."

"Adeus, Harry." Murmuro e clico no botão com um símbolo vermelho, para desligar a chamada. Odeio estes telemóveis antigos.

Acaricio a minha barriga e esboço um curto sorriso. Independentemente do que ocorra na minha relação, este bebé irá nascer e irá crescer feliz, sem quaisquer turbulências, como foi com a Felicity.

[...]

Ajeito o meu cabelo ruivo com os dedos, desajeitadamente e encaro Kate que estava a dar o biberão ao Jacob. Aproximo-me dela e acaricio a bochecha do menino adorável.

"Quando é que vais?" Ela pergunta, encarando-me.

"Embora? Dentro de minutos. E tu?"

"Quando a Jocelyn chamar um táxi." Resmunga, pousando o biberão assim que o seu filho termina de beber o leite depositado lá dentro.

"Ele é parecido contigo." Profiro e nesse exato momento, ela dá-mo, para lhe pegar nos meus braços.

Fez-me lembrar quando era a Felicity. Bons dias, boas recordações.

"Kate, vem morar comigo. Pelo menos até conseguires ajeitar a tua vida, tu precisas de um apoio extra."

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short cap. i'm sorry

GOSTARAM?? SERÁ QUE A KATE VAI IR OU NEM POR ISSO?

comentem!

obrigada pelo crescimento! mais comentários, anjinhos. ❤

Dear Me.

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