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Querida Felicity,

Antes de mais nada, desculpa por não estar contigo neste dia tão especial para ti – eu sei que prometi estarmos os três juntos no teu aniversário mas acontece que eu estou no hospital por uma razão que de certa forma te irá alegrar: irás ter um irmãozinho ou uma irmãzinha.

Eu sei que vou poder contar contigo para cuidar da criança porque tens quatro anos e já és crescida, correto?

Eu amo-te tanto minha pequena.

Feliz aniversário.

A tua mamã,

Luanna.


Esboço um doce sorriso ao ler novamente o pequeno bilhete que deixara para a minha filha neste dia.

Entrego o bloco e o lápis que Jocelyn me arranjara à própria e, dobro o pequeno papel em dois, colocando-o no bolso deste "fato" (?) tão provocador e horrendo. Fecho calmamente os meus olhos, cansada, porém, segundos depois o meu descanso é interrompido por quem me pareceu ser a suposta Dr.ª Dianne.

"Olá, Luanna. Eu sou a Dr.ª Dianne. Suponho que a Jocelyn já te informou. Entretanto, eu gostaria de saber como te sentes."

"Eu estou bem. Eu quero saber como é que o bebé está, por favor." A minha voz, mais ríspida, implorou.

"Ele está bem, assim como a Luanna." Aliviada, suspiro e esboço um curto sorriso a demonstrar o quão agradecida estava. "Soube que tem outra filha. Com que idade a teve?"

"Aos dezassete."

"O pai deste bebé é o mesmo da sua menina?" Perguntou, sentando-se num sofá ao lado da cama onde eu me encontrava deitada. Assenti. "Gostaria que me desse o contacto dele para que ele lhe venha buscar amanhã. Se acha que ele não pode, outro contacto serve."

Não posso dar o número de uma celebridade a uma mera médica que pode divulgar o contacto a alguém mais chegado e esse dito cujo revelar em redes sociais.

Optei por indicar o número da Christine.

"É a minha melhor amiga. Por razões pessoais não posso revelar o contacto telefónico do meu companheiro."

"Eu entendo, não se preocupe. Daqui a pouco regressarei, deixe-me só realizar a chamada."

"Doutora, dá-me autorização para falar com a minha amiga, por favor?"

"Deixe estar, eu trato da situação, Luanna."

"Não, eu... Eu preciso mesmo de falar com alguém que possa contactar a minha filha. Ela faz anos hoje."

O sorriso antes exposto no rosto da profissional começou a desvanecer. No entanto, assentiu e eu agradeci com gentileza.

A Christine tem que ler este bilhete à minha filha e entregar o outro ao Harry. Sim, eu também escrevi para o ele. Eu sei que de momento ele não quer justificações, é sempre assim, mas sinto a necessidade de pelo menos captar a atenção dele e curar a mágoa que ficou dentro dele por eu ter cometido o mesmo erro de há quatro anos.

Uma jovem na cama ao meu lado abafava as suas lágrimas na almofada. Ao contrário das outras senhoras, esta, para além de ser mais nova não tinha o bebé no seu colo ou no berçário. Mãe solteira e adolescente – só pode.

Teen(ager) - h.s {sequela TM}Leia esta história GRATUITAMENTE!