BÔNUS

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NARRADO POR SUMMER CAMPBELL:

Quatro anos antes: Dia da morte de Oliver.

Meus olhos estavam parados, era quase como se eu estivesse cega, tudo parecia um borrão. Não conseguia mover nem um músculo do meu corpo, a garganta seca estava fechada e o ar já era quase inexistente em meu corpo. A sensação era de estar morta, e era assim que eu me senti quando ouvi o que o amontoado de bombeiros disseram.

— Não achamos o corpo.

Eram só essas palavras que a minha mente vazia reproduzia, um eco incessante da minha consciência gritando comigo mesma no escuro. Olhei para Aaron em pé ao meu lado, suas mãos estavam sobre os olhos e eu sabia que ele estava chorando, as lágrimas também desciam dos meus olhos, frias e salgadas. Todo o amor que eu sentia por Oliver agora se resumia em lágrimas e dor, uma dor excruciante, que se apossava do meu corpo por inteiro, até não sobrar nada além de dor e culpa.

Eu era a culpada.

Eu afastei Oliver da empresa, eu não dei atenção á ele nos seus últimos dias.
Eu nem sequer quis vê-lo porque estava ocupada demais sofrendo por Will. Que droga! Era tudo culpa de Will também, e de Meiridi. Era tudo culpa deles. Não era justo eu ter culpa por isso também. Não era.

Eu não vou embora. – Respondo seca.

Você não dormiu, não comeu e está com cheiro péssimo. – Linda torceu o nariz.

Você fala como se isso importasse agora, não importa, eu não quero mesmo comer ou tomar banho. Muito menos dormir, só se for para acordar desse pesadelo. – Suspiro.

Um soluço faz com que o silêncio volte a reinar, Aaron estava chorando mais alto, mas continuava discreto. Eve estava ao seu lado, não parecia triste e eu duvido que estava, ela não tinha o direito de dividir esse momento com a gente, não tinha. Esfrego as mãos umas nas outras e não me dou ao trabalho de limpar as lágrimas que inundavam meu casaco, não estava nem um pouco a fim de esconder o que eu sentia.

Você precisa ir, eu te ligo amanhã. Prometo. – Aaron sussurra.

O azul-acinzentado de seus olhos estavam perdidos e eu não conseguia decifrar o que ele sentia, ele parecia não sentir nada. Mas eu nunca conseguia mesmo saber o que ele sentia, era tudo vazio quando eu o olhava. Suas mãos geladas tocaram nas minhas que estavam quente, em contraste. Meu corpo respondeu ao seu toque e eu puxei minha mão o mais rápido, odiava a sensação que ele me causava, eu achava que odiava.

— Vamos, Sum. Por favor! – Lind suplica em meu ouvido.

Levanto mecanicamente e ando até o carro no estacionamento do mesmo jeito, não queria ver os jornais, não queria ver a imagem do carro de Oliver encontrado no meio daquele rio na estrada. Não queria fazer nada. Só queria sofrer em paz. Só isso.

                              ~~~

Não queria ter batido a porta na cara de Linda como fiz, mas também não me sentia arrependida. Estava cansada e ouvir todo mundo me dizendo o quanto eu precisava superar era o que eu menos queria. Quando eu cheguei em casa e senti o abraço apertado dos meus pais, eu quase esqueci tudo mas depois a sensação de vazio voltou. E estava doendo.

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