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NARRADO POR SUMMER CAMPBELL:

— Eu não quero falar sobre isso.

Meiridi cruza os braços em frente ao parapeito da sacada, o vento está chicoteando nossos cabelos para trás e algumas gotas de chuva molham meu rosto. Prendo meus olhos nela, seus olhos estão marejados e ela contém o choro.

— Você não vai mais fugir desse assunto! Midi, eu te amo. Você é a minha metade, mas eu preciso saber o que aconteceu para acreditar em você.

— Ele... – Ela gagueja. — Will me batia. Você acha que eu iria ficar calada? Ele abusou de mim, me trancafiou naquela casa em Nova Jersey.

— Meiridi! Você nunca teve medo de nada, por que você não lutou?

— Eu tive medo, medo por vocês. Eu tive medo de Will.

Ela fica em silêncio, era como se estivesse relembrando tudo e isso também me magoou. Sinto meus olhos úmidos, Meiridi escorrega os dedos pelo rosto limpando as lágrimas salgadas.

— Ele me mostrou que Eve estava com eles, ele não podia provar tudo, mas já iria ser o fim da sua carreira e a do papai se ele botasse a boca no trombone. Seria o fim pra gente.

— Meiridi, nada disso valia o seu sofrimento. Eu perderia tudo por você. Eu perdi tudo.

— Eu sobrevivi, eu estou bem. – Ela sussurra.

— Ele fez tudo isso por dinheiro, maldito! – Chuto o vazio.

O corpo de Meiridi me abraça e eu a aperto em mim, seus olhos estão avermelhados e ela molha minha blusa com suas lágrimas. Nunca tinha visto Meiridi assim. Na verdade, Meiridi era forte, nunca demonstrava o que sentia e era ótima em disfarçar sua dor. E agora ela estava ali com os sentimentos nus na minha frente.

— Nós vamos superar isso juntas. – Sussurro.

— Você não merece alguém como eu.

— Eu sei que não.

Ela se desvencilha de mim e estica a cabeça para fora deixando a chuva que agora descia com intensidade inundar seu rosto e cabelo.

— Midi. – Chamo.

— Hum? – Ela se vira. Algumas gotas escorrem pela sua bochecha.

— Ele tocou em você? Você sabe... ele abusou de você? – Digo com incerteza.

Mais lágrimas e um soluço.

— Não. Eu preciso de um banho, a gente se fala depois. – Ela diz com a voz trêmula.

Sei que ela está me escondendo alguma coisa, mas a deixo ir. Não queria pressionar ainda mais para que ela me contasse tudo, seu sofrimento era nítido e eu sabia exatamente como ela se sentia.

•••

Chego a empresa ás oito em ponto, estou atrasada, é difícil estar de volta. Minha cabeça ainda está repassando a conversa com Meiridi, pensar em tudo que ela sofreu me dá ânsia de vômito e eu tento não focar muito nisso. Pego o elevador presidencial completamente vazio e respiro fundo.

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