~ Samuel ~


Minha cabeça está latejando e meus braços parecem pesar duas toneladas cada. Assim como as minha pálpebras. Escuto vozes femininas ao fundo e eu não me recordo de ter trazido nenhuma mulher para minha casa noite passada...

Espere aí um minuto, será que eu tinha perdido a minha virgindade? Não posso acreditar que tinha acontecido tal coisa e nem ao menos me lembrava...

Não, não era possível. Lembro o que eu fiz noite passada e foi numa festa da universidade... Eu nunca tinha ido para nenhuma, e meus companheiros de classe acabaram me convencendo de ir a uma. Eu só tinha tomado duas cervejas, não era possível eu não lembrar de ter levado uma mulher para cama. Quanto mais duas!

E aquele cheiro... Com certeza não era o cheiro do meu quarto, onde eu estava? Minha cabeça doía muito, assim como meu corpo, tento me mexer e acabo soltando um gemido de dor. Minha cabeça pende para o lado.

Fiz um esforço absurdo para abrir os olhos.

Achei estranho ao ver a minha avó na minha frente. O que ela fazia ali? É, pelo menos eu consigo descartar de uma vez por todas a perca da minha virgindade na noite passada... Isso explica as vozes femininas.

– Samuel meu filho. Que maravilha te ver finalmente acordado... – ela pega a minha mão e dá um beijo carinhoso em cima.

– Finalmente... Espera aí – finalmente me torno consciente do ambiente ao meu redor, um quarto branco, um bipe suave ao fundo, minha roupa azul e folgada. Eu estava num hospital? Meu Deus, o que eu fiz noite passada?Tento me sentar direito na cama, mas minhas costelas doem demais. – O que aconteceu? Porque eu estou em um quarto de hospital?

– Você não lembra? – a segunda voz feminina anuncia e me viro espantado. Eu nunca tinha visto aquela bela mulher na minha frente. Ela parece preocupada com alguma coisa que eu não consigo identificar. Ela deve conhecer a minha avó de algum lugar...

– Não eu... – não sei ao certo, mas meu coração dispara. Quer dizer, eu até sei o motivo, a moça segura a minha mão com firmeza, e eu tenho certeza que nunca a vi antes... Olho para as nossas mãos unidas e para ela com confusão. – Desculpe moça, mas eu te conheço?

Ela imediatamente retira a sua mão da minha. Ela me parece estar chocada. Sua boca abre e fecha umas três vezes e ela começa a respirar de modo cortado e desigual.

– Moça, você está legal? – pergunto um pouco assustado com a reação dela. Eu tinha perguntado alguma coisa muito errada?

– Estou, é que eu... – ela tenta falar, mas vejo a sua dificuldade em encontrar palavras. – É que eu... Não sei o que... – e volta a ficar em silêncio.

– Vó – olho para a dona Rita e ela está um pouco espantada também. O que diabos foi que eu fiz noite passada?

– Samuel – dona Rita começa a falar. – Você sofreu um acidente há quatro dias, tem dormido por três, e só acordou agora... Qual é a última coisa que você se lembra? – bem isso explica o quarto do hospital e as dores no corpo... Mas ainda não explica a presença da moça.

– Eu lembro de estar na faculdade, tomando uma cerveja com uns amigos... Isso aconteceu ontem? – tento forçar a memória para resgatar alguma coisa, mas tudo é um completo branco depois disso...

– Na realidade... Se passou um bom tempo... – a moça ao meu lado fala. Ela apertava as mãos em seu colo. Ela estava nervosa? Será que ela era que tinha sido a responsável pelo meu acidente? Por isso que ela estava ali? Para garantir que eu estava bem?

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