°Samuel°

Estou na minha última volta na piscina. Uma das vantagens de ser o dono do hotel, é que ninguém fica me enchendo a paciência sobre sair da piscina, porque ela vai fechar, tem que fazer tratamento, esse tipo de coisas, e já como sou eu que fecho a piscina, tenho ela sozinha para mim.

Eu sempre gostei muito de nadar.

Alguma coisa em mergulhar em uma piscina calma e nadar nela me trazia uma calma tão boa. E além disso eu ainda economizava na academia. Não que o dinheiro fosse curto, mas assim eu poderia gastar com alguma outra coisa.

Meus braços queimam quando eu forço meu corpo a sair de dentro d’água. Pego a toalha que está no chão e me enrolo com ela. São cinco horas da manhã, eu ainda tenho tempo de usar o chuveiro da piscina antes de sair de lá.

Sempre acordo o mesmo horário todos os dias. Quatro horas da manhã eu desperto, como se tivesse sendo acordado por alguém ou alguma força invisível. Tentei de muitos jeitos não acordar, tomava remédios, calmantes, terapia, tudo. Mas simplesmente não conseguia deixar de acordar todo dia esse horário.

Às vezes acordava por conta de um mesmo sonho. Ás vezes era por causa do mesmo pesadelo. Ou às vezes não me lembrava de nada.

Aprendi com o tempo que não poderia fazer nada para mudar isso, então decidi fazer coisas para ocupar o meu tempo e conseguir voltar a dormir. Tentei ler, mas não conseguia, tentei muitas coisas para distrair meus pensamentos e voltar a dormir, e recentemente eu tinha descoberto essa ótima maneira de me distrair. Nadar.

Faço o meu caminho de volta para o apartamento com a bolsa com as coisas molhadas dentro de uma sacola transparente e vestindo uma camiseta e um calção secos.

Como de costume não encontrei ninguém pelo caminho. Gostava de ir pelas escadas. Abri a porta do apartamento e assim que me despi das minhas roupas, deitei na minha cama só de cueca e caí no sono novamente.

Quando o despertador toca às oito horas da manhã estou me sentindo bem e desço até o térreo. Minha vó está lá, e tem um sorriso no rosto.

– Vó, que bom ver a senhora, o que faz aqui?

– Vim visitar o neto mais sumido que ela tem.

– Poxa vó, não fala assim, juro que eu queria ter ido mais cedo pra te visitar...

– Tudo bem Sam. Sua avó sabe perdoar.

– Ihhh dona Rita, a senhora vai ficar aí afastada muito tempo, ou vou ter que ir aí te dar um beijo? – abro meus braços e ela vem na minha direção. Eu dou um beijo bem grande em sua bochecha.

Minha avó ainda é uma mulher cheia de vida, mesmo nos seus 75 anos ela tinha disposição para ar e vender. Fiquei preocupado um tempo com ela, mas isso já fazem dois anos, dois anos que o meu avô faleceu. Ela ficou um tempo triste. Mas quando ela viu que ainda tinha uma longa vida pela frente ela se conformou e superou.

Mas eu ter tomado de conta do hotel dele ajudou muito.

Outra coisa que acabei por fazer para ajudar na recuperação dela foi aulas de dança. As aulas na realidade eram só pra terceira idade, mas minha vó insistia que eu fosse com ela. Chegava até a ser engraçado. Nunca me esqueço da nossa primeira semana lá.

O espanto das pobres senhoras ao me ver junto da minha avó. Umas olhavam até com certa inveja, mas quando minha avó disse que eu era o neto dela, todas passaram a me adorar. As senhoras e senhores de lá eram muito simpáticos, e mesmo sendo aulas para a terceira idade, eu aprendi muita coisa lá.

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