Sexta feira.

Passei a semana inteira pensando no meu paciente de segunda. Não gosto de admitir, mas o Ricardo ainda mexe comigo. É uma merda eu sei, pensar nele depois de tudo o que aconteceu. Ricardo foi um marco na minha vida e sempre vai ser assim, tenho que aprender a conviver.

Mas de uma coisa eu tinha certeza, não voltaria com o Ricardo.

Quanto a questão dele conhecer a minha filha, eu estava realmente na dúvida. Afinal, não poderia ser tão ruim não era? O aniversário de oito anos dela está se aproximando, e será que seria um bom presente para ela um pai?

Não que eu fosse embrulhar o Ricardo num papel de presente e dar pra ela, mas quem sabe se eles começarem a se aproximar, se conhecerem... Tenho que sondar a minha filha, pra ver o que ela acha de ter um pai...

Tenho que ir com todo cuidado, afinal uma coisa dessa não se fala como se dá um bom dia. Mas não quero ocupar a minha cabeça com isso hoje.

Hoje é o dia que eu vou para a ópera com o Samuel, e eu estou bastante animada com isso. O meu último paciente acabou de sair do meu consultório e agora eu vu pro salão de beleza.

Carol que insistiu que eu fosse... Ela disse que eu estava precisando de uma repaginada no visual. Eu concordei somente com ir no salão, mas pintar meu cabelo de uma cor esquisita, não vou fazer!

Depilação completa, unhas com um tom vinho lindíssimo, sobrancelha feita e um penteado bem bonito no cabelo. Só não fiz a maquiagem pois a Carol me assassina se não for ela a me maquiar. Falando nela, ela já deve estar na minha casa há um bom tempo com a minha filha.

Ela fez questão de ir buscar a Manu na escola, para economizar o meu tempo. No começo da noite, chego em casa e vejo as duas brincando na sala.

Desmontaram o meu sofá inteiro e fizeram um forte, ou castelo, sei lá o quê, com as almofadas. Estavam com coroas feitas de papel e todas pintadas com lápis de cor. Quando me viu Manu deu um pulo e veio correndo na minha direção. Eu apoio meu joelho no chão para ficar da sua altura.

– Mamãe! – ela passa os braços pelo meu pescoço.

– Manu! Cuidado com o cabelo da sua mãe! Deve ter dado um trabalho monstruoso pra fazer esse penteado.

– Ai é, desculpa mamãe. Essa trança tá linda – ela passa os dedos de leve na trança que eu tenho lateralmente na minha cabeça.

– Obrigada meu amor.

– E quando eu for do tamanho da senhora e da tia Carol eu quero ter poder pintar a unha dessa cor bonita.

– Quando você for do nosso tamanho sei que você vai ser a mocinha mais linda desse mundo – falo dando um beijo em sua testa.

– Obrigada mamãe. A senhora tem tempo de brincar com a gente de princesa?

– Desculpa meu amor, mas a mamãe já vai ter que começar a se aprontar... – falo passando a mão pelo seu pequeno rosto.

– Tudo bem, a tia Carol continua a brincadeira, não é tia Carol? – ela pergunta olhando para a minha amiga.

– Claro princesa meleca! – Carol brinca com a minha filha.

– Mãe a tia Carol fica me chamando de princesa meleca, mas eu sou a princesa arco Iris! – ela faz birra e eu tenho que rir das duas.

– Carol, que vergonha! Implicar com uma mocinha indefesa de sete anos... – dou língua pra Carol.

– Eu sei que ela é a princesa arco-íris, mas eu só estou brincando, o que é uma brincadeirinha de leve entre princesas, não é? – Carol puxa Manu para suas pernas e começa a fazer cócegas nela.

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