- Eu vou chamar um táxi. Sem condições de você dirigir Alice - Carol entra na minha casa e me ajuda a sentar no sofá.

Tudo o que ela fala não passa de um zumbido distante no meu ouvido. Tudo está dormente e eu nem sei o que fazer nesse exato momento. Carol segura a minha mão e vejo que ela está segurando a minha bolsa e me entrega.

Ela me ergue do sofá e vai me levando como uma grande boneca de pano que eu sou nesse momento. Entro no táxi. Vejo tudo que está ao meu redor e ao mesmo tempo não vejo nada.

Só percebo que tínhamos chegado ao hospital quando minha amiga paga ao taxista e me praticamente me joga para fora do carro. Olho a fachada do prédio e lembro que foi aqui que o meu pai ficou quando ele teve aquele mal estar.

Um monte de lembranças correm na minha mente e fico nervosa pensando somente no pior. Sei que não deveria pensar assim, mas é exatamente assim que fico. O que consigo fazer é rezar para que eu ainda possa ter a chance de me acertar com ele.

Engraçado como sempre dizem que quando algo grande acontece em nossas vidas tudo o que não é importante some. E tem razão. Não me lembro dos desentendimentos, dos momentos que eu tive minhas dúvidas, agora dentro de mim eu só tinha a certeza do meu sentimento por ele, e eu não posso deixar de modo algum que algo fique entre nós.

Se bem que o que está entre nós agora não é realmente algo que eu possa controlar, somente torcer.

Minha amiga toma a frente e pergunta onde poderemos encontrar o Samuel. Uma moça simpática e sonolenta nos informa que ele deu entrada no hospital, mas está em cirurgia no exato momento.

Sem podermos fazer muito mais, procuramos um lugar para sentar e esperamos por notícias.

- Lice, minha princesa. Vim o mais rápido que pude - um Cauê que eu nem sabia que tinha sido informado sobre tudo aquilo aparece. Fico em pé e aceito o abraço reconfortante que ele me oferecia.

- Obrigada - falo afundando a minha cabeça em seu peito.

- E você ainda duvida que quando precisar de mim eu vou estar em outro lugar que não seja seu lado? - seu queixo se apoia no topo da minha cabeça.

- Claro que não Cauê. Nunca duvidei de nenhuma das minhas amizades - afrouxo um pouco o abraço e olho para a Carol entre lágrimas.

- Alguma novidade?

- Nada ainda... - falo soltando um suspiro.

- Deixa eu ver se tem mais alguma coisa ali. Volto já princesa - e com um beijo na minha testa ele começa a se aproximar do balcão de informações.

Não consigo me sentar e nem fazer com que o aperto no meu peito diminuísse. Aquela sensação agonizante que querer puxar o ar para os pulmões e ele não viesse.

Doía. E como doía.

E eu sabia que só havia uma maneira para aquela dor ir embora. Alguém tinha que me dar a certeza de que o Samuel está bem. Eu tinha que saber que ele não corria mais perigo. Que tudo não passou de um susto.

- Nada ainda princesa. Ele ainda está na mesa... - Cauê senta ao meu lado e segura minha mão.

- Ainda? Isso não pode ser um bom sinal gente... - falo apertando as duas mãos que estou segurando. - Quanto tempo faz que ele está lá?

- Não pensa assim Alice, não adianta você ficar se martirizando aí, pensando em um milhão de coisas que podem ou não acontecer - Carol coloca um pouco de razão em mim.

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