Ele estava tão bonito quanto eu me lembrava, ou até mais. Seu rosto tinha ganhado maturidade, e seu cavanhaque dava a ele um charme todo especial.

Seus olhos azuis ainda eram hipnotizantes e seu cheiro invadiu meus sentidos. Merda! Como eu poderia ainda sentir alguma coisa por ele mesmo depois de todo esse tempo? Eu estava nervosa.

Minha raiva estava misturada com vários sentimentos que eu não iria nomear e nem gostaria de nomear. Carol me mataria se eu os nomeasse. Minha garganta se fecha e eu não consigo pronunciar nada. Nada sai da minha boca. A voz fica presa e eu o analiso.

Seu corpo tinha ganhado definição. E ele parecia uma pessoa completamente diferente em seu terno muito bem passado. Seus cabelos continuavam do mesmo jeito e brilhavam de maneira bonita sobre a meia luz do restaurante.

– Que coincidência... – Ricardo fala e minhas mãos pingam de tanto suor. – Eu realmente queria falar com você Alice.

Minha boca está aberta e eu devo estar parecendo uma pessoa assustada, como se tivesse vendo um fantasma na minha frente. Minha respiração está curta e o ar parece não querer entrar em meus pulmões.

– Alice? Você está bem? Você está meio pálida e... – Ricardo vem ao meu lado e coloca a mão no meu ombro. Eu retraio o ombro em defesa e ele retira a mão, notando o meu desconforto.

Não sei o que aconteceu comigo em seguida, mas só me lembro da última coisa que eu vi foi o lustre brilhante do restaurante. E senti mãos me segurando. E tudo ficou preto.

~Samuel~

Alice estava linda naquela noite. E ela era uma mulher diferente das que eu já conheci. Quanto mais eu conversava com ela, mais eu gostava dela.

Uma mulher forte, decidida, e com um coração que até agora estava se mostrando grande e compreensivo. Mal tinha terminado esse encontro e eu já estava pensando em várias outras coisas que eu gostaria de fazer com ela...

Um barulho de vidro quebrando me chama a atenção e quando eu olho para a origem do barulho, vejo Alice conversando com um rapaz. Ela parece estar se desculpando com o rapaz.

Mas eu vejo depois no rosto dela um certo nervosismo. Fico preocupado que o cara possa estar fazendo alguma coisa com ela e eu me levanto e vou até ela.

Alice não está falando nada só observa tudo de olhos abertos. E quando eu vejo o corpo dela amolecer e cair eu corro para o seu lado e a pego em meus braços. O rapaz com que ela falava se abaixa também.

– Alice? – sacudo seus ombros de leve. – O que aconteceu com ela? Por que ela desmaiou desse jeito?

– Não faço a menor ideia eu...

– Parecia que ela estava assustada com alguma coisa, você falou alguma coisa pra ela ou... – falo não conseguindo esconder a desconfiança na minha voz.

– Não, na realidade já nos conhecíamos, mas fazia muito tempo que não nos víamos, acho que foi o choque de me ver, ou algo assim...

– Sei... – tinha alguma coisa errada com aquele cara, eu só não sabia o que era.

– Acredite ou não, estou preocupado com ela.

– Mas pode deixar cara, eu assumo daqui.

– Não seria melhor levar ela...

– Eu assumo daqui – não querendo ser grosso, mas já sendo. Não levantei a voz nem nada disso. Eu só falei de maneira bem firme. Ele estava muito interessado na Alice e eu posso muito bem cuidar de tudo agora.

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