Tudo aconteceu em câmera lenta.

O soco que Samuel dá no nariz do Ricardo me deixa sem ação. Não sei se ele deu o soco por acreditar que eu não queria beijá-lo ou pelo simples fato que nos beijamos. Isso foi um fato. Eu não queria, mas Ricardo me beijou.

Estava em estado de choque. Não me lembro da última vez em minha vida que tinha me sentido assim. Não sabendo e nem tendo o mínimo controle sobre o que aconteceria em seguida. Sinceramente isso me assustou mais do que deveria.

Mas depois de ver o Ricardo lentamente cair no chão por conta do soco, tudo pareceu acontecer em alta velocidade. Samuel começa a se afastar de mim, não posso deixar que isso aconteça.

- Samuel eu... - falo tentando fazer com que ele pare de andar e que me ouça.

- Não Alice, por favor, não fala nada. Eu sei - ele fala com uma voz tão triste que me corta por dentro. Mas esse 'eu sei' que ele disse foi tão profundo, que mesmo sendo comente cinco letras eu entendi que ele tinha acompanhado tudo o que tinha acontecido.

Me doeu quando ele desviou o seu olhar do meu.

- Me deixa explicar eu... - ele não pode ir assim. Tenho que dizer que foi tudo um grande engano.

- Alice, não quero escutar nada hoje. Muita coisa para assimilar. Mas não precisa se explicar. Eu só preciso ir - ele vira de costas para mim. A dor queimou em meu peito.

- Samuel - nem consigo completar a frase. Minha garganta fechou em desespero. Ele se vira mais uma vez para me encarar, acho que esperando que eu falasse algo, eu não sei. Mas minha mente deu um nó.

- Nos falamos depois Alice - ele diz e como as palavras insistem em não sair da minha boca, eu tento me aproximar dele, mas Samuel imediatamente dá um passo para trás. Como um animal ferido, com medo. O que me faz congelar no meu lugar.

Então tenho que o observar indo embora. Ver sua silhueta indo embora no elevador fez meus joelhos vacilarem e eu tive que me encostar a uma parede próxima para não desabar.

Luto contra as lágrimas que querem se formar em meus olhos e somente quando eu escuto um gemido baixo perto de mim é que eu lembro que o Ricardo ainda está aqui. E quando eu olho para ele, vejo um sorriso meio torto em seu rosto. Sério que ele estava sorrindo?

- Você está sorrindo Ricardo? - pergunto tentando conter a minha raiva.

- Talvez...

- Qual o motivo que você tem para sorrir mesmo Ricardo? Foi em algum momento depois do meu tapa ou antes do soco que você acabou de tomar?

- Estou feliz por provocar essas reações...

- Reações? É isso que você chama esse soco?

- O soco foi um efeito colateral que eu pensei que não teria que passar. Mas sei que foi por um bem maior. Você - ele fala como se fizesse todo o sentido do mundo o que ele acabou de falar. E foi a gota d'água.

- Você está feliz agora Ricardo? - cuspo todo o meu ódio em cima dele. Mas ainda consigo manter um nível no to da minha voz.

- Estaria mentindo dizendo que estou triste - ele fala finalmente ficando de pé e massageando o seu maxilar.

- Você é doente sabia? Isso é totalmente maluco!

- Alguns chamam de maluquice, outros chamam de amor...

- Se o que você acha que sente por mim é amor Ricardo, você está redondamente enganado! Se realmente fosse amor, você tentaria fazer o seu melhor para me ver feliz Ricardo!

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