O celular caiu inteiro no chão e nem pra sair a bateria quando a gente precisa...

Ricardo.

Mas o que ele quer comigo e como ele tinha conseguido o meu número? Tanto tempo sem dar notícias, tanto tempo sumido e sem se preocupar como eu estava. Ele somente sumiu. E agora volta sei lá de onde...

Mas que merda é aquela?

Agora que eu lembrei que o celular ainda estava no chão e provavelmente ele ainda estava falando. Recupero o celular do chão e o encaro com frieza, a chamada ainda está ativa e eu não sei se continuo a falar ou não.

– Alice? – Ricardo fala do outro lado da linha e eu coloco novamente o telefone no ouvido. – Ah Alice, eu sei que você deve estar chateada comigo. Mas eu realmente queria te ver. Quero conversar com você. E o que eu tenho a te dizer não é coisa que se diga pelo telefone.

– Chateada? – falo com a voz mais controlada que eu cosigo, mas ainda sim grito. – Chateada nem começa a explicar como eu sinto por você Ricardo. Você sumiu! Por oito anos! Sem dar nenhuma explicação, sem falar nada! Você SUMIU da minha vida. E gostaria que continuasse assim.

– Alice...

Eu desligo o celular. Estou tremendo da cabeça aos pés e eu sento na cadeira mais próxima que eu vejo. Meu celular começa a tocar novamente e quando eu vejo que é o Ricardo, desligo rapidamente o celular.

– Lice, o que foi isso? – Carol fala comigo, ela ainda tem a cara totalmente amassada pelo travesseiro. Ela segurava um armador de madeira que eu tinha no meu quarto, que eu usava para pendurar meus casacos. – Escutei seus gritos lá de dentro do quarto. Vim correndo.

– Pode abaixar essa madeira Carol – Carol coloca o pedaço de madeira no chão e vem se aproximando de mim.

– Desculpa Lice, é que eu só escutei os gritos, e pensei que talvez alguém tivesse invadido ou alguma coisa assim...

– Não Carol, não foi nada disso...

– Mas amiga, o que aconteceu com você? Você está meio pálida, sei lá – Carol segura minha mão. – Minha nossa amiga, você está fria demais, e tremendo! Você precisa ir no médico?

– Não Carol, eu estou bem... É que eu acabei de falar com alguém que eu achava que tinha sumido, e agora...

– Minha nossa Lice, estou ficando preocupada, diz logo quem foi, quem sabe eu não posso te ajudar em alguma coisa? – ela senta no braço da cadeira que eu estava sentada e me abraça.

– Ricardo.

– O QUÊ? – Carol fica de pé em um movimento rápido.

– Sim, ele me ligou ontem, e me mandou uma mensagem...

– Espera só um momento amiga, eu preciso de uma jarra de café para poder escutar essa história...

– Ótimo. Pois você faz o café, que eu vou tomar um banho, essa conversa com ele me fez suar frio. Aproveito e tento decifrar melhor essa história. Quem sabe eu te explico melhor.

A água fria passando pelo meu corpo me anestesia de alguma forma e eu me sinto mais calma. Ainda tenho diversas perguntas pulsando em minha mente, perguntas que eu queria saber a resposta, mas não sei se vou ter coração para tal.

Saio do banho, me sentindo me uma nova pessoa. Feridas do passado, que eu pensava que estivessem fechadas e cicatrizadas estão abertas, e parece que alguém jogava álcool em cima, pois elas ardiam como nunca.

A Alice que eu lutei tanto para mudar, a Alice insegura, amedrontada e dependente do Ricardo eram um fantasma distante e agora, fiquei com medo de me olhar no espelho e a reconhecer.

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