Segunda feira de manhã não é o meu melhor momento.

Acordo antes do despertador e hoje o dia estava nublado e o friozinho de manhã tornou mais difícil a tarefa de sair da cama. Carol estava deitada do meu lado, na sua posição de costume, abraçada num travesseiro.

Não tenho coragem de acorda-la.

Me levanto, vou para o banheiro, tomo meu banho, deixo meus cabelos soltos enquanto secam e depois vou para a cozinha começar a preparar o café da manhã. Na hora de acordar a Manu, vou no quarto dela e acordo a minha princesa.

– Manu minha princesa, vamos acordar, está na hora da escola...

– Já mamãe? Ainda estou tão cansada...

– Sim meu amor. Imagino que você deve estar mesmo, passou o dia inteiro ontem brincando...

– Não posso dormir nem mais dois minutinhos?

– Só se em dois minutos você levantar e não ficar com mais preguiça.

– Ih mamãe, impossível. Vou levantar logo.

E mesmo fazendo biquinho minha filha levanta e vai escovar os dentes. Mesmo sem eu mandar. Orgulho que dá.

Satisfeita, volto para cozinha e vou terminar de preparar o café da manhã. Faço umas panquecas e ovos mexidos. Coloco algumas pra minha filha, coloco para mim e deixo as que eu fiz para a Carol dentro do forno para não esfriarem tanto.

Minha filha aparece toda vestida com a farda do colégio, mas ainda sem calçar os tênis. Senta à mesa e come tudo o que eu coloquei em seu prato com um sorriso no rosto.

Depois de lavar os pratos e panelas do café da manhã eu vou pro meu quarto terminar de me aprontar e menos de quinze minutos depois já estou pronta para mais um dia de trabalho.

Depois de deixar a minha filha no colégio eu me apresso para o prédio. Não que eu tivesse alguma consulta pelo primeiro horário da manhã, mas era que eu gostaria de dar uma olhada nas avaliações de alguns dos meus pacientes, e pela manhã é sempre o melhor horário para fazer isso.

Aperto o botão do meu andar e subo até o meu escritório sozinha no elevador.

A sala está com o mesmo cheiro que eu deixei. De limpeza clínica. Sento na minha poltrona confortável no fundo da sala, ligo uma lâmpada que comprei exclusivamente para melhorar a minha leitura e caio de cara nas avaliações.

Sempre que leio pela segunda, ou terceira vez minhas anotações sobre os pacientes posso entender melhor como pensam e como eu posso ajudá-los a melhorar com os seus problemas.

Batidas na porta me chamam a atenção. Olho para o relógio e acho estranho. Ainda tenho uns quarenta minutos antes do meu primeiro paciente chegar.

– Pois não?

– Lice? – Cauê fala do outro lado da porta e já a abre.

– Cauê, entra meu dentista favorito...

– Obrigado Alice, e como vai você? Não nos falamos no final de semana... Fiquei com saudades de você, aproveitei que a minha cliente de agora faltou e vim te fazer uma visitinha rápida.

– Senta aqui Cauê, realmente meu final de semana foi bem puxado, mas bem família...

– Família nada, que eu não estava lá...

– Devia muito bem estar enroscado num rabo de saia se eu bem te conheço Cauê, seu aniversário prometeu...

– Mas quem estava conversando com vários caras era você lá na boate...

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