Epílogo - Amor na Segunda Volta

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~ Manu ~


Estou sentada no banco da igreja ao lado da minha mãe. Samuel sorrindo ao lado dela. Meu irmãozinho de quatros anos dormindo calmamente no colo dele. Finalmente a Carol tinha conseguido os papéis para se casar com a Renata. Elas namoram há mais tempo que eu lembro e tentam oficializar a união desde que eu me entendo por gente...

E sim, eu ganhei um irmãozinho, Henrique. A coisa mais fofa. Ele sempre reclama quando eu fico apertando as suas bochechinhas e o mordendo, mas eu sei que ele adora, e é a minha forma de mostrar o meu carinho por ele.

Acho incrível a história dos meus pais, e mesmo o meu pai nunca tendo recuperado a memória, ele se apaixonou novamente pela minha mãe. Acho que o amor deles estava escrito. Eles se casaram quando eu completei doze anos e me lembro de ser o melhor presente que eu tinha ganhado. Me lembro da alegria do meu pai ao vê-la entrando na igreja com o vovô. Era muito pequena para compreender o que era o amor, mas aquele sentimento me tocou profundamente naquele dia. Mas me lembro com tanta clareza do que aconteceu naquele momento, que hoje, mesmo tendo se passado cinco anos, a memória era fresca como se tivesse acontecido ontem.

Meu pai sempre fazia questão de falar para a minha mãe que não importa a quantidade de vezes que ele pudesse esquecer, que o resultado seria o mesmo, que ele a amaria sempre. Sempre um pouco mais do que antes. Eles estavam a cada dia mais felizes. E quando o Henrique nasceu, nossa família se tornou ainda mais próxima.

Era lindo ver como as coisas tinham se resolvido entre os dois. Quando eu tive idade suficiente, minha mãe me explicou todos os acontecimentos. Fiquei muito abalada em saber a história real dela com o Ricardo, mas ela me disse que não tinha porque eu mudar a minha relação com ele, já que já tinha passado tudo e agora ela só queria focar na felicidade.

Mas mesmo assim eu conversei com o meu pai. Ele ficou envergonhado por eu saber de todos os detalhes da história, me pediu desculpas pelos acontecimentos e vi que ele realmente estava arrependido do que tinha feito. O clima tenso foi se desfazendo aos poucos e logo voltamos a nossa relação normal.

Ele tinha encontrado uma mulher para ele. Se casou e tinha um casal de gêmeos fofuxos. Ele e os meus pais tinham superado o passado e hoje se davam bem, pelo menos na medida do possível. E para mim era o suficiente.

Hoje eu via o Samuel como um pai de verdade e mesmo com a ligação de sangue que eu tinha com o Ricardo, o que eu tinha com o meu pai era mais forte do que qualquer coisa. Tirei a sorte grande com a minha família.

A igreja era pequena e estava toda enfeitada com belos arranjos de rosas vermelhas. Ela quis fazer essa cerimônia pequena e tinha contado com o apoio de todos. Não contive uma lágrima de felicidade quando vi a tia Carol entrando na igreja de mãos dadas com o pai dela. Seu vestido simples, branco com alguns detalhes em prateado.

Ela estava linda demais e sorriu para cada um de nós. Acho que a sua felicidade era o seu melhor acessório. Seus passos eram lentos, mas não demorou muito para que ela passasse pelas cinco fileiras de bancos de madeira, lotados de pessoas. Seu pai deu um beijo carinhoso em sua testa e foi sentar perto de nós.

Quando Renata apareceu em pé na porta, também com um vestido branco parecido com o da Carol, percebi que o mundo das duas tinha parado.

Carol não olhava mais para ninguém. Renata também não. As duas se olhavam tão apaixonadas, tão envoltas que era quase possível sentir o amor das duas. Sorri e fiz um pedido silencioso para que alguém me olhasse assim algum dia. Queria um dia poder me sentir assim com alguém. Um amor puro e verdadeiro.

Meus olhos vão para o rapaz sentado a poucos metros de mim. Ele sorria e fingiu limpar uma lágrima inexistente nele. Ele piscou um olho, e vi que segurava uma gargalhada. Mas somente com aquela troca de olhares percebi que ele também tinha sido tocado por aquele amor. Eu o conhecia bem o suficiente para saber.

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