O Plano de Seth 02 (Marcelly)

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Reencontro

Era tarde de doze de fevereiro, e já se passara mais de meia hora desde que eu chegara ao local marcado por Elizabete como nosso ponto de encontro, o Parque da Mangabeira, mas nada de ela aparecer. Fiquei impaciente e já duvidava se ela realmente viria como havia sido planejado.

O parque estava em silêncio, apenas algumas poucas pessoas passeavam por ali, quais logo iam embora. Essa atmosfera começou a me deixar solitária, fazia meses que não me sentia daquela maneira.

Talvez o motivo para isso fosse por conta de Leonardo, pois, embora fosse alguém calado e que raramente se expressava, ele era o único que me fazia companhia — eu querendo ou não. O silêncio de sua presença não era tão vazio e solitário como o daquele parque, chegava a ser até assegurador.

Enquanto refletia sobre isso, ouvi o som de passos se aproximando e então voltei minha atenção à direção da qual ele via.

A alguns metros de distância do banco no qual eu me sentava, estava uma garota com quase um metro e setenta de altura, cabelo ruivo avermelhado e olhos azulados. O que me chamou a atenção foi que ela usava um chapéu de verão na cabeça — peça que nunca a vi usando antes — e seu cabelo estava amarrado em dois rabos-de-cavalo pouco abaixo da nuca. As roupas que ela vestia também ajudavam a passar uma impressão diferente da que já tive dela: uma camiseta sem mangas e shorts jeans; era como se a aparência dela estivesse mais leve, ou foi isso que me pareceu. Ela levava dois tufos de algodão-doce, um em cada mão.

Quando seus olhos vieram ao encontro dos meus, abrindo um largo sorriso em seus lábios, ela me cumprimentou animadamente:

— Ah, Marcelly! Então você veio mesmo!

Por que eu não viria? Parecia ser um assunto sério pela conversa que tivemos pelo celular...

De todo modo, era ela que tinha me deixado mais de trinta minutos sentada num banco de madeira duro debaixo de um sol escaldante, minha bunda já estava dolorida e um pouco suada...

Espera, isso não é algo que uma garota diga, né? Deixa pra lá...

— C-claro que eu vim... Eu tava preocupada com você! O que aconteceu?! — falei, falhando em esconder minha preocupação.

Diante da minha reação exasperada, Elizabete apenas sorriu como se achasse aquilo divertido, mas não detectei nenhuma malícia em sua expressão.

— Eu sei — disse ela, aproximando-se do banco para se sentar sobre ele, ao meu lado direito. — E eu sinto muito por isso... me desculpe pelo atraso, é que minha barriga estava roncando, e eu vi um carrinho de algodão-doce e... Bem, você entendeu.

— S-sim...

Não tinha como não entender, eu estava com um pouco de fome naquele momento, após passar meia hora esperando. Mas não era exatamente o atraso dela que havia me deixado preocupada, mas sim sua ausência até então. Parecia que ela estava evitando tocar nesse assunto de propósito.

— Você quer um? — perguntou ela, me oferecendo um de seus algodões-doces.

Então isso significa que ela iria comer os dois? Parece que ela não faz nenhum esforço pra manter o corpo em forma, mesmo sendo tão magra...

— Ah, não, obrigada — recusei, ainda que estivesse com fome; o fato é que eu não gostava muito de coisas doces.

E também, eu engordava facilmente.

É uma coisa um pouco vergonhosa de se dizer, mas eu tinha que manter um ritmo de treino diário para manter meu corpo em forma; o que era importante, já que tinha de usá-lo para combater as anomalias.

Maldições de SangueOnde as histórias ganham vida. Descobre agora