O Sangue de Artenis 05 (Artenis)

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O Olho Sobrenatural

— Uhum. Claro. Aham. Tudo bem. Uhum. Tá. Uhum. Okay. Aham. Até mais, então. Tchau. — Desliguei a chamada e guardei o celular no bolso.

— Sua mãe de novo? — perguntou Leonardo.

— Sim.

— Ela parece estar bem preocupada com você.

— É, eu nunca fico fora de casa por muito tempo sem avisar a ela antes...

Poderia não parecer por conta da personalidade solta e energética dela, mas, quando se tratava da minha segurança, minha mãe ficava muito preocupada. Olhando para o número exorbitante de mensagens que havia recebido dela da noite anterior para a manhã daquele dia, podia-se dizer que ela era até um pouco paranoica quanto a isso.

Era onze de fevereiro. Leonardo e eu havíamos passado a noite e madrugada inteiras no hospital, aguardando o resultado da operação que estava sendo realizada em Marcelly para recuperá-la dos ferimentos do acidente.

Os médicos haviam nos dito que ela estava mal e que entrara num coma leve. Podia acordar a qualquer momento, assim como somente semanas depois. Ainda não se sabia quantas sequelas ela recebera do acidente, mas seu estado de saúde era instável.

E tudo isso por minha causa, por minha estupidez.

Durante nossa estadia no hospital, Leonardo me contou toda a história sobre a organização para qual ele e Marcelly trabalhavam e sobre sua maldição, mas não entrou em muitos detalhes quanto à última — ele parecia um pouco traumatizado com ela, na verdade. Era compreensível, afinal, eu mesmo presenciara a monstruosidade completa de sua maldição.

Ele também havia me contado sobre sua missão e a de Marcelly, que era a de me proteger de um bando de vampiros que aparentemente estava me tendo como alvo por algum motivo desconhecido, mas...

Vampiros? Lobisomens?... E uma organização secreta? O que aquela garota dizia era mesmo verdade?

Aquela não era a primeira vez que eu havia entrado em contato com o sobrenatural — eu convivia com ele já fazia dois anos, na verdade — ainda assim, era difícil acreditar que coisas assim existem de verdade... Claro, eu já me encontrara com coisas como espíritos e fantasmas antes, mas nunca havia visto algo tão concreto quanto vampiros e lobisomens... E então descobri que essas coisas são de carne e osso, que elas existem fora da ficção. Mais do que isso, que há uma organização secreta que as combate mundo afora — esse é um mundo completamente diferente do com o que eu estava acostumado.

Entretanto, o que mais me incomodava não era o teor fictício daquela situação, mas sim o motivo para eu ter me encontrado nela em primeiro lugar.

Por quê?

Por que estou sendo alvo dessas coisas que não deveriam existir — desses vampiros?

E o que mais me intrigava: por que alguém arriscaria a própria vida para salvar alguém tão patético como eu? O que eu tinha de tão especial, afinal?

Essas perguntas rodeavam minha cabeça incessantemente.

— Você acha que ela tá bem? — perguntei, preocupado.

— Sim, minha mestra é uma pessoa forte, ela vai resistir. Tenho certeza disso. — Leonardo realmente demonstrava uma confiança inabalável naquela que ele chamava de "mestra", quem eu deveria chamar de minha salvadora, Marcelly Lionheart.

— Espero que sim, tenho que pedir desculpas pra ela por ter sido rude...

— Tudo bem, nós fomos um incômodo para você, nos desculpe.

Maldições de SangueOnde as histórias ganham vida. Descobre agora