PARTE 3: O Retorno de Elizabete 01 (Artenis)

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Reconciliação

Era início da tarde de quinze de fevereiro, fazia quase uma semana desde que eu conhecera Marcelly e Leonardo e quatro dias desde que eu passara a morar na casa de Seth. Eu não estava frequentando a escola naqueles dias por conta dos ataques dos vampiros, era mais seguro ficar no apartamento de Seth, cuja localização era desconhecida por eles, embora o proprietário do mesmo não ficasse lá por muito tempo.

Falando nele, nesse dia, ele mais uma vez se encontrava ausente. Após comer o almoço que eu mesmo preparei, subi para o "meu" quarto e me deparei com uma visão inesperada.

Confortavelmente sentada sobre a cama que eu usava para dormir, estava uma garotinha com antenas de plástico em sua cabeça, a ceifadora Annita.

— Annita? — perguntei, surpreso ao vê-la.

— Sim, quem mais poderia ser? — rebateu ela, folgada como sempre.

— O-o que tá fazendo aqui?

— Bem, no momento estou desocupada, então decidi vir vê-lo novamente — explicou. — Pensei que já estivesse acostumado com as minhas visitas, vejo que você é lento em se adaptar.

— E eu vejo que você continua me insultando sem nenhum motivo... — retruquei. — Então parece que você ainda quer fazer parte de mais cenas na história.

— Sim, claro, o meu objetivo é desbancar você como o protagonista desta história, será a minha vez de brilhar!

— Esse seu objetivo é totalmente descabido!

— Eu vi que a Marcelly e o Leonardo acabaram de sair, então já terminou?

— O quê? — A troca súbita de assunto que ela fez me deixou um pouco desorientado.

— A negociação, é claro.

— Ah, é... Sim, finalmente terminou, foi bastante cansativo.

— Entendo. Mas parece que essa experiência de vida-ou-morte deixou vocês mais próximos, pelo menos — comentou Annita.

— Hmm, você acha?

Realmente, acho que agora eu vejo a Marcelly e o Leonardo por uma perspectiva um pouco diferente... Pode-se dizer que ver o trabalho deles em me proteger de perto me deixou um pouco mais consciente da relação deles comigo.

— Sim, você não?

— É, acho que posso concordar...

— Mas, então, o que você acha deles agora? Daquela caçadora e daquele lobisomem. No começo, parecia que você mantinha uma certa distância deles.

— Bem, isso é verdade... Mas é porque eu sempre tive certa dificuldade em confiar nas pessoas. — Talvez isso fosse algo que havia herdado da minha mãe, que era sempre desconfiada.

— Bom, pela sua criação, acho que isso é esperado. — Ela falava como se soubesse da minha vida até os mínimos detalhes, comentando ela como se fosse uma série, não que isso estivesse muito longe da verdade. — Ainda assim, acho que faz bem se abrir mais pras pessoas. Ninguém vive sozinho neste mundo, afinal.

— É... o problema é que, quando se abre pras pessoas, você acaba inevitavelmente arrastando elas pros seus problemas também...

— Mas os amigos não servem justamente pra isso? Pra se meterem nos problemas que você não pode resolver sozinho e te ajudar a resolverem eles?

— Pode ser que sim...

Mas... "amigos"? De quem estamos falando aqui?

Era, claro, daquela caçadora e daquele lobisomem... Noutras palavras, os meus salvadores, Marcelly Lionheart e Leonardo Cordeiro.

Maldições de SangueOnde as histórias ganham vida. Descobre agora