O Sangue de Artenis 06 (Marcelly)

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O Padrinho

Subitamente, senti um peso sobre mim, era como se eu estivesse sendo puxada para baixo por algo invisível. Minha mente apagou por um instante, mas logo retornei à consciência. Foi como desligar e ligar um interruptor rapidamente.

Assim que abri meus olhos, uma leve dor me atingiu, mas foi essa mesma dor que me fez perceber que eu estava no meu corpo, e um alívio imenso me preencheu. Nunca tive uma sensação tão boa por ser capaz de sentir dor, algo que confirmava que eu estava, de fato, viva.

Como se experimentasse algo novo que acabei de ganhar, tentei levantar a parte superior do meu corpo e, com algum esforço, consegui. Então, ainda sonolenta, olhei ao meu redor para verificar onde estava.

Ao encontro de minhas expectativas, eu continuava no quarto hospitalar em que aparentemente fui internada após ter sido atropelada por aquele carro, mas Annita não mais estava presente ali, ou, pelo menos, eu não mais podia enxergá-la.

Leonardo se encontrava de pé ao lado da cama na qual eu estava sobre, me olhando com uma expressão de surpresa atípica a ele. Bom, depois da minha milagrosa recuperação, até mesmo eu estava surpreendida.

Contudo.

Artenis Louis, o garoto pelo qual eu — mesmo tendo acabado de conhecê-lo — quase tinha perdido minha vida e que havia aparentemente me tirado dos braços da morte havia pouco tempo...

Não se encontrava ao lado de Leonardo como eu o havia visto havia poucos segundos, mas sim caído no chão desmaiado enquanto sangue escorria de sua boca.

— A-Artenis! — chamei seu nome, alarmada.

Era óbvio que, no rápido instante no qual eu havia transitado da morte de volta à vida como se tivesse apenas despertado de um sonho passageiro, algo havia acontecido com ele, e eu, ao vê-lo naquele estado, não pensei duas vezes. Ainda com algumas dores pelo corpo, rapidamente saí da cama e me agachei ao lado do corpo inconsciente do garoto, o colocando em meus braços enquanto gritava à Leonardo:

— Leonardo, me ajuda a acordar ele!

— S-sim!

Se aquele garoto, se Artenis morresse naquele momento, todo o meu esforço, qual havia posto até minha vida em risco, para protegê-lo teria sido em vão.

Além disso, mesmo que eu antes tivesse usado minha vida de escudo para salvá-lo, ele havia, tendo esse propósito em mente ou não, retribuído meu favor — não, meu dever — no mesmo nível. Afinal, ainda que fosse a Annita quem havia permitido isso, foi na verdade Artenis quem abrira a porta para essa nova chance de viver que eu tive, a oportunidade para recomeçar como se tudo que passara fosse apenas lembranças e nada mais.

Foi quando, de repente, houve um barulho muito alto de paredes sendo derrubadas e coisas caindo seguido por um tremor que sacudiu todo o prédio do hospital e gritos.

— O-o que foi isso? — perguntei, assustada.

Será que tem algo a ver com o Artenis de novo? Um ataque como na outra vez?

— Tudo bem, eu vou verificar o que é — disse Leonardo, avançando para a porta.

— Leonardo, espera! Pode ser um ataque deles, dos vampiros! — avisei.

Mesmo sendo dia, aquela não era uma opção a ser descartada. Na verdade, era a mais óbvia possível. Afinal, mesmo que não fossem os próprios vampiros que estivessem atacando, eles poderiam muito bem mandar alguém para fazer o serviço, como haviam feito na noite anterior.

Mesmo sabendo disso, Leonardo respondeu:

— Sim, eu sei, é por isso que estou indo. No momento, sou o único capaz de lutar aqui, e você tem que cuidar do Artenis, não é, mestra?

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