Um Novo Dia 05 (Artenis)

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Eu Sempre Te Amarei

Eu estava sentado num sofá de frente a uma mesinha de centro, onde um vaso com flores repousava. Ao inspecionar os meus arredores com os olhos, cheguei à conclusão de que aquele lugar me parecia familiar.

Claro que parecia, afinal, aquela era a minha casa.

Cada detalhe estava ali: o armário com a coleção de pratos antigos da vovó, a TV analógica sobre a raque já antiga, o relógio de parede com cara de gato. Tudo

Mas como eu havia parado ali? Recordava-me de estar com Marcelly, Leonardo e Seth no apartamento de Viktor; quando passei mal por conta do veneno que absorvi do lobisomem, então desmaiei e aí... Branco.

Isso era tudo que eu me lembrava; além disso, nada mais. Simplesmente me encontrei ali, sentado no sofá da sala de estar da minha casa. Ou seria minha antiga casa? Mais importantemente, onde estavam os outros?

De repente, um cheiro amargo invadiu a sala, e eu o reconheci de imediato; era, indubitavelmente, o aroma do café da minha mãe.

— O café já está pronto!

E aquela voz animada que meus ouvidos captaram era, indubitavelmente...

— Mãe! — Levantei-me do sofá ao ouvir sua voz, surpreso.

Saindo da cozinha com uma xícara de café em cada mão, uma mulher de quase quarenta anos de idade surgiu na sala de estar. Tinha pele morena, cabelos castanhos curtos e um belo sorriso no rosto. Aquela era Adriana Louis, minha mãe, que morrera em meus braços havia não mais que doze horas.

Vê-la ali, sorridente como quase sempre era quando em vida, fez meu coração amolecer, e eu comecei a chorar.

— M-mãe, você... — tentei dizer em meio às lágrimas.

— Não, eu...

Ela deixou uma das xícaras de café que carregava sobre a mesinha de centro, então se sentou na poltrona oposta ao sofá onde eu estava sentado, também de frente à mesinha.

— Não estou viva — completou.

— Então, eu... — Perplexo, também me sentei, limpando as lágrimas do meu rosto.

Aquilo só podia significar que...

— Não, você não está morto — falou ela, como se tivesse lido meus pensamentos. — Também não estou lendo seus pensamentos. Eu seria uma má mãe se não soubesse o que meu filho está pensando, não é? — Sorriu, então elegantemente tomou um gole do café da xícara em suas mãos.

Repetindo seus movimentos, peguei a xícara que foi posta por ela à frente de mim sobre a mesinha à minha frente e tomei um gole do café derramado dentro dela. O gosto dele era exatamente o mesmo do que ela costumava fazer para mim, então não me restavam dúvidas de que aquele café havia mesmo sido feito por ela.

Mas como?

— Mas então como você tá aqui? E como a gente veio parar na nossa casa?! — vociferei minhas dúvidas.

— Deixe-me explicar! — Uma infantil e familiar voz invadiu o ambiente.

Ao me virar para meu lado direito, o lado de onde aquela voz viera, vi uma garota vestida com uma capa de chuva rosa e com antenas de plástico em sua cabeça, era Annita, sentada sobre o sofá com uma xícara de café em mãos também.

— Annita?! O que você faz aqui? — perguntei, surpreso ao vê-la tão de repente.

Espera, por que consigo ver ela mesmo ainda usando o tapa-olho?

Maldições de SangueOnde as histórias ganham vida. Descobre agora