O Retorno de Elizabete 07 (Artenis)

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Ligação

Acordei sentindo algo vibrar no bolso de minha calça.

Quando abri meus olhos, me vi num lugar completamente estranho. Acima de mim, estava um lindo céu estrelado com uma brilhante lua banhando a noite com sua luz prateada. Ainda sentindo um pouco de dor de cabeça, me levantei e olhei ao meu redor. Julgando pelos arredores, eu estava deitado no terraço de um prédio na área comercial da cidade de Nascente, mas como eu havia parado lá?

A resposta estava logo ao meu lado: sentado a um metro de mim, estava um golém alado de armadura com mais de três metros de altura. Não bastasse essa visão bizarra, era o mesmo monstro que eu me lembrava de ter me raptado antes de apagar. Avistá-lo logo após ter acordado num lugar estranho me fez soltar um grito assustado.

Porém, ele não reagiu nem um pouco ao meu susto, estava imóvel feito uma estátua, parecia dormir profundamente, embora fosse mais como se ele estivesse "desligado". Ainda assim, tomei a precaução de me afastar o máximo possível dele, não tinha como eu saber se aquela coisa iria me atacar novamente.

A vibração no bolso traseiro da minha calça que me acordara continuava, então me lembrei de que aquele deveria ser o meu celular. Cogitei que Marcelly ou Seth deveriam estar me ligando para saber do meu paradeiro, então me apressei para atender a ligação.

Ou talvez fosse a minha mãe... Não.

Ela se foi para sempre, não foi...?

— Foda-se, não é hora de chorar agora — murmurei, limpando as lágrimas que ameaçavam cair dos meus olhos com as mãos.

Ignorando esses sentimentos dolorosos, peguei meu celular do bolso e atendi a ligação:

— A-alô...

— Ah, então você tá acordado. — Aquela era a voz de Marcelly, ela parecia estar um pouco preocupada, com razão. — Artenis, você tá bem?

— S-sim, eu acho... Marcelly, é você? O que aconteceu depois que eu fui levado por essa... coisa? — perguntei, olhando para o golém, que continuava parado, sentado.

— Sim, sou eu. Artenis, ouça bem, tenta ligar pro Seth e pedir pra ele te dar uma carona até o Parque da Mangabeira. Leonardo, Elizabete e eu vamos encontrar vocês lá.

— Tudo bem... E-espera, "Elizabete"? A Liza tá com vocês?!

Pelo que me lembrava, da última vez, estávamos lutando contra ela, isso significa que ela foi capturada? O que acontecera no tempo em que fiquei desacordado?

— Sim, parece que houve um engano... — respondeu ela, de maneira vaga.

— Que engano? — indaguei, curioso.

— É uma longa história, vamos explicar isso a você quando nos encontrarmos. Até mais — despediu-se Marcelly, imediatamente desligando.

Foi uma conversa curta, mas que conseguiu encher minha cabeça com ainda mais perguntas.

Bem, se é assim, acho que não tem muito o que se fazer, vou ligar pro Seth... Pensei, acessando minha lista de contatos.

— Alô? Seth?

— Artenis, você tá bem, garoto?! — A voz dele transbordava de preocupação.

— Hã, acho que sim... O monstro que me raptou ainda tá aqui, mas ele não parece uma ameaça agora. Hã, onde você tá? O que aconteceu com a Violeta?

— Ah, bem... Ela fugiu — respondeu ele, de maneira natural.

— Você deixou ela escapar?!

— Não tenho culpa, ela é muito escorregadia!

Suspirei, desapontado.

— E a sua ex-colega de classe vampira? — perguntou ele. — O que aconteceu com ela?

— Bem, acho que agora ela tá com a Marcelly, ainda não sei o que aconteceu entre elas... — respondi com a informação escassa que eu podia dar.

— Hmm, isso parece estranho, mas pelo menos você tá seguro agora.

— Acho que sim, onde você tá?

— Num bar, tô me escondendo da polícia.

— Da polícia?!

— Sim, eles chegaram um tempinho depois que a Violeta fugiu. Devem tá investigando a morte da Dri agora...

— Entendo. Provavelmente eles virão atrás de mim depois...

— Sim, mas não vamos nos preocupar com isso agora.

Na verdade, ele parecia mais preocupado do que eu. Pergunto-me em que tipo de coisa ele poderia estar envolvido para temer a polícia daquele jeito. Certamente não eram coisas de dentro da lei.

— Certo. A propósito, você poderia vir e me dar uma carona? — pedi.

— Mais uma? Garoto, espero que me recompense por toda a gasolina que você me faz gastar.

— Você vai mesmo me deixar aqui com esse monstro?!

— Tudo bem, tudo bem... Pode me dizer onde você tá?

— Num prédio alto no centro da cidade.

— Existem muitos prédios altos no centro, sabe?

— Tudo bem, eu vou tentar descrever onde é aqui...

Dei todos os detalhes possíveis para Seth e, após um instante de silêncio, ele me respondeu:

— Ah! Sei onde fica esse lugar. Pode deixar que tô indo aí te buscar.

— Que bom, vou estar te esperando.

E de repente eu ouvi barulho de tiros ao fundo na ligação, seguido de gritos e correria.

— O que tá havendo aí?! — perguntei, assustado.

— Hã, eles me encontraram. Tenho que desligar, tchau!

— Ah, tchau...

E ele desligou.

Sério, o que diabos? Não sei mais se é seguro pedir carona para um sujeito desses...

Guardei meu celular de volta no bolso da minha calça e virei-me para trás. Foi então que me surpreendi ao notar uma coisa, ou melhor, a ausência dela.

O monstro vermelho de armadura não estava mais ali, agora ele era apenas uma enorme poça de sangue que evaporava rapidamente. Por algum motivo, senti que havia algo de errado naquilo, e o sensação de que algo terrível havia acontecido começava a crescer em meu peito.

Maldições de SangueOnde as histórias ganham vida. Descobre agora