Um Novo Dia 07 (Artenis)

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Recomeço

Vinte e três de fevereiro.

Era uma manhã quente e ensolarada de segunda-feira, mas o calor não chegava a me incomodar tanto. Em um cenário que chegava a contrastar com aquele céu azul e limpo, eu estava no cemitério, diante de um túmulo, enquanto segurava um buquê de flores em minhas mãos. No túmulo estava escrito o nome de Adriana Louis, minha mãe, que havia morrido fazia apenas uma semana.

Esse fato, claro, ainda estava fresco no meu coração.

Não sei exatamente como, mas Seth disse que se livrara da polícia, que andava nos investigando desde aquele incidente, através de algumas "conexões" que ele tinha dentro dela. Tenho certeza de que ele usou de meios ilegais, mas não era como se ele ligasse para as leis do mundo humano para começo de conversa.

E, sinceramente, eu não me importava com aquilo no momento. Depois de ter passado por tantas coisas naquela semana, já estava cansado de tudo e queria apenas ficar em paz.

Abaixei-me e depositei o buquê sobre o túmulo, quando senti uma presença familiar se aproximando logo atrás de mim.

— Não se preocupe, ela está num lugar melhor agora — disse aquela infantil e meiga voz, confirmando a identidade de sua dona para mim.

Eu sabia que aquela ceifadora de antenas estava parada logo atrás de mim, então não me preocupei em me virar para trás para fazê-la uma pergunta séria:

— Você já sabia que ela iria morrer, não é?

— Sim — respondeu ela, de imediato.

Aquela fria e direta afirmação me fez sentir um aperto no peito. Mesmo assim, continuei a indagá-la:

— Foi por isso que você não quis me mostrar a sua lista de morte, não é?

Já fazia um tempo que eu desconfiava disso, desde aquele dia em que eu pedi que ela me mostrasse sua lista de morte e então, mais tarde, descobri que minha mãe havia desaparecido.

Não podia ser coincidência, não teria como ser.

Mas, mesmo sabendo disso, eu...

Mesmo assim, eu...

Não fui capaz de fazer nada no final, não fui capaz de mudar o destino dela.

Ela morreu e... eu não pude fazer nada, fui um inútil.

— Você está certo. — Mais uma vez, ela me entregou a resposta que eu esperava, mas que menos queria ouvir.

Fiquei mudo por alguns segundos. E então a raiva começou a ferver em meu coração, e eu gritei:

— Então por que... — Apertei meu punho na tentativa tola de segurar minhas emoções. — Por que você não me deixou salvá-la?!

Foi tudo só uma desculpa?

Todo aquele papo de arrependimentos e coisas do tipo...

O que diabos ela queria, mentindo para mim, me afastando da verdade...?!

Por que me impediu de fazer alguma coisa?

Por quê? Por quê?!

— Porque era impossível! — gritou Annita. — Quando o destino decide que alguém irá morrer, não há como escapar disso! Mesmo que você tentasse, seria tudo em vão, isso só te traria mais dor e desespero...

Não havia um traço de sua típica infantilidade em seu tom de voz. Ela havia gritado aquelas palavras com tanta firmeza e seriedade que quase pulei de susto.

Maldições de SangueOnde as histórias ganham vida. Descobre agora