O Retorno de Elizabete 06 (Marcelly)

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Melhores Amigas

Elizabete estava a alguns metros de distância de mim, fitando-me enquanto sorria de maneira quase cínica. Finalmente estávamos frente a frente, eu procurava por aquilo, mas...

Ela não se parece nem um pouco com a Elizabete com a qual eu me encontrei naquele dia, no parque, e, mesmo naquele dia, ela já parecia diferente da que eu havia conhecido.

Como ela mudou tanto...?

— Marcelly, você conhece a Liza...? — perguntou Artenis, de trás de mim.

Sim, eu havia escondido essa conexão entre nós de Artenis até então. Foi algo injusto de se fazer, mas eu havia prometido...

— Sim, conheço... Me desculpe, Artenis, podemos deixar isso pra depois? — pedi. — Por enquanto, seria melhor que você ficasse de fora disso.

— M-mas...! — protestou ele.

— Tudo bem, eu posso cuidar disso — assegurei.

Bem, na verdade eu não estava tão certa disso; meu corpo ainda sofria os efeitos da luta da qual eu acabara de sair, então, como a própria Elizabete havia falado, eu realmente não estava no meu melhor.

Mas, acima disso tudo, eu não tinha nenhuma vontade de lutar contra ela, aquela que tantas vezes havia se proclamado como minha amiga — e que agora se encontrava opondo-se a mim.

— Elizabete, por que está fazendo tudo isto? — perguntei. — Eu não entendo... isso contradiz o que você me contou naquele dia, no parque.

— Há muitas coisas aqui que você não entende, e coisas que eu não entendo também... Apenas aceite nossos papéis e vá em frente! — Elizabete gritou, avançando até mim com sua lança empunhe.

Apesar de ela ter dado o primeiro passo, não me movi sequer um centímetro. Não sei por que eu estava hesitando, mas alguma coisa me dizia que Elizabete não estava atacando por vontade própria. Era isso que ela queria dizer com "papéis"?

Mesmo assim, quando a lâmina de sua lança já estava prestes a me perfurar, imediatamente a bloqueei com minha katana. Diante do perigo evidente, meu corpo parecia se mover automaticamente.

Surpreendentemente, a lâmina de minha katana cortou através de sua lança como se ela fosse feita de papel, atingindo sua portadora e causando um corte em sua bochecha esquerda. A arma partida ao meio logo se dissipou em sangue, e a vampira que a empunhava rapidamente recuou três passos para trás.

Ficou claro naquele ponto que ela estava usando hemomancia, a magia do controle de sangue, e que aquela lança havia sido criada a partir disso.

— Então essa espada sua é abençoada, não é? — Elizabete perguntou, ao por sua mão sobre o corte recém-criado em sua bochecha, que sangrava. — Que pena. Acho que terei de usar outra arma, então — disse, puxando o punhal que estava preso no coldre em sua perna esquerda.

Então ela novamente avançou em minha direção, dessa vez empunhando seu punhal. Vendo seus ataques, não revidei, apenas continuei a bloqueá-los com minha espada. As lâminas de nossas armas colidiam e faíscas saltavam diante de nossos olhos numa batalha onde apenas um lado atacava.

Contudo, as ofensivas de Elizabete continuavam a ficar mais rápidas e precisas, a ponto de eu não mais conseguir acompanhá-las com os olhos. Sendo incapaz de segui-la, não pude bloquear seu punhal, e a lâmina dele atingira levemente o lado direito do meu rosto, me tirando sangue.

Imediatamente recuei um passo para trás; mas, pela primeira vez, não me impedi em atacá-la, avançando com toda minha força. Elizabete tentou bloquear meu ataque, mas a lâmina de minha katana seguiu adiante e perfurou-a no ombro esquerdo, chegando a atravessá-lo por alguns centímetros.

Maldições de SangueOnde as histórias ganham vida. Descobre agora