O Plano de Seth 08 (Marcelly)

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Obrigada

Minha consciência finalmente havia retornado, pelo que podia sentir, estava deitada em uma cama não muito confortável.

O quê? Estou viva? Não pode ser...

Pelo que me recordava, aquele vampiro perfurara minha mão com uma lâmina envenenada, deveria ter sido um golpe fatal para uma humana como eu.

Abri os meus olhos e me deparei com a visão de um teto meio sujo, parecia não muito bem cuidado.

Não parece o teto de um hospital... Nem da base da Magnólia. Onde eu estou?

E que estranho, sinto um peso sobre o meu corpo, será que o veneno ainda está fazendo efeito?

Levantei meu corpo do torso para cima e então percebi que o "peso" que eu estava sentindo sobre mim não era o efeito de um veneno, mas sim Leonardo, que, sentado em uma cadeira ao lado da cama em que eu estava deitada sobre, estava com a parte superior de seu corpo deitada sobre mim. Ele parecia estar dormindo, em sono profundo.

— U-uwaah! Leonardo! — exclamei, de todo jeito, fiquei surpresa com essa proximidade súbita.

Já era estranho acordar em um local desconhecido, quanto mais acordar com seu subordinado deitado sobre você.

— Aah, o-o quê...?!

Meu grito espalhafatoso acabou o acordando, e ele levantou-se de mim imediatamente:

— M-mestra?! Ah, então você está bem! — Após o susto inicial, ele parecia feliz em me ver.

Eu não podia dizer que não estava pelo menos alegre em vê-lo, afinal, depois do que havia acontecido, pensei que nunca mais veria ninguém novamente, pelo menos não alguém vivo.

Quer dizer, Leonardo parecia estar vivo, e até então, não havia nenhum sinal daquela garotinha de antenas...

— S-sim, estou... Me desculpe por ter gritado... Mas a culpa é sua por ter dormido em cima de mim! — repreendi-o, ainda havia certas linhas em nossa relação de mestra e subordinado que não podiam ser cruzadas.

E, ao ouvir isso, o rosto de Leonardo ficou vermelho como um tomate no mesmo instante. Era a primeira vez que eu o vira ficar tão corado daquela maneira, se teve alguma anterior. E, numa explosão incompreensível de nervosismo, ele começou a cuspir palavras:

— M-m-m-me desculpe, mestra! E-e-e-eu não queria fazer, é que eu...

— T-tudo bem, não precisa fazer tanto alarde!

— M-me desculpe...

— Não precisa se desculpar também...

Suspirei, às vezes era difícil lidar com ele.

— Mas... Leonardo, onde nós estamos? Ou melhor, o que aconteceu? — perguntei.

Olhando ao redor, vi que estava em um pequeno quarto, provavelmente de um apartamento, um que parecia ser não muito bem cuidado há algum tempo. Havia poucos móveis; além da cama em que eu estava deitada e da cadeira em que o Leonardo estava sentado sobre, tinha um guarda-roupa largo e antigo, um criado-mudo, uma TV analógica disposta ao chão ao lado de um videogame da geração passada e uma janela.

— Bem...

No momento em que Leonardo estava começando a responder minha pergunta, ele foi interrompido pelo som da única porta no quarto se abrindo. Quem saiu dela foi uma pessoa que eu não esperava ver tão rápido, Artenis. Ele também trazia uma bandeja larga em suas mãos, onde sobre ela estavam dispostas uma tigela de sopa e uma colher.

Maldições de SangueOnde as histórias ganham vida. Descobre agora