O Plano de Seth 04 (Artenis)

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Negociação

— Você acha que vai dar certo? — Sentado no banco do carona do carro de Seth, eu perguntei ao meio-vampiro, que dirigia o veículo.

— Claro que vai — respondeu ele, com seus olhos ainda voltados para a rua. — Meus negócios nunca falham — vangloriou-se, mas suas palavras me soaram vazias.

— Mas e se não der?

— Bem, que seja o que Deus quiser. — Ele disse tal resposta preocupante e insegura com um sorriso confiante no rosto.

"Que seja o que Deus quiser"? Não é isso que a gente diz quando as coisas estão totalmente fora do nosso controle?

Era noite de treze de fevereiro, Seth e eu havíamos discutido o plano que ele tinha proposto durante a tarde inteira, e então era chegada a hora de pô-lo em prática.

— Chegamos — anunciou o meio-vampiro, estacionando seu carro no lado direito da rua com uma das rodas sobre a calçada, quase batendo o veículo contra um poste ali perto.

Paramos em frente ao que parecia ser um conjunto de prédios abandonados. Na frente havia uma placa desgastada pelo tempo que dizia: "Conjunto Residencial Pedra Branca".

— É aqui o ponto de encontro? — perguntei, ao sair do automóvel.

— Sim.

Poderia-se dizer que era um local apropriado para uma negociação com vampiros: estava abandonado e afastado do centro urbano, longe dos olhos humanos.

Adentramos o local, e subitamente senti a temperatura cair, o clima lá estava frio e pesado. Caminhamos entre as ruínas daqueles prédios vazios e escuros até chegarmos num amplo e largo pátio no centro, que era iluminado apenas pela luz prateada da lua que brilhava no céu daquela noite gelada. Ali parecia ser algo que costumava ser uma pracinha para os residentes do local ou algo assim.

Dizer que eu estava nervoso seria pouco, a cada passo que dava para dentro daquela escuridão, meu nervosismo só aumentava. As chances de aquela negociação dar errada eram grandes, afinal.

— Então vocês vieram mesmo... são corajosos. — Uma voz desconhecida reverberou pelo recinto, ela me deu calafrios por ter surgido tão repentinamente.

— O-onde eles estão? — perguntei, enquanto olhava para os lados tentando encontrar a direção da qual aquela voz viera.

— Ali — respondeu Seth, apontando para algum lugar acima de nós.

Segui a direção apontada por Seth com os olhos até finalmente os avistar. Acima de um dos prédios abandonados — o que ficava ao norte, à frente de nós, mais especificamente — estavam seis silhuetas de pé. Contudo, eles estavam longe demais para que eu conseguisse distinguir seus rostos.

— Ah, já posso sentir o cheiro do sangue sagrado que corre nas veias desse garoto. E ele parece delicioso, hihihi...

Aquela voz, que era feminina e infantil, mais uma vez ecoou noite adentro, parecia pertencer à silhueta da garotinha no meio, a mais baixa de todas elas.

— Essa garotinha realmente é a líder deles? — sussurrei para Seth.

— Sim, o nome dela é Violeta Balzabath — informou ele, sussurrando de volta, e alertou: — mas não se engane pela aparência dela, ela é uma das vampiras mais poderosas que já vi.

— "Garotinha"? Não me subestime, garoto do sangue angelical! — Do topo do prédio, ela gritou, furiosa.

Ih, ela pode me ouvir daqui?!

Maldições de SangueOnde as histórias ganham vida. Descobre agora