O Retorno de Elizabete 02 (Marcelly)

6 0 0
                                              

A Pior das Hipóteses

— Hyah! — gritei enquanto acertava o enorme saco de areia pendurado à minha frente com um chute lateral.

O saco era pesado, mas consegui balançá-lo um pouco com o meu chute.

Meu corpo também sentiu o choque, mas continuei firme sobre meus calcanhares.

— Hah! Hah! — Continuei a acertar o saco, que voltou a balançar, mas dessa vez com socos.

Meu rosto estava coberto de suor, meu coração palpitava forte.

Fiz uma pausa para manter o ritmo da minha respiração.

— Hah! Hah! Hyah! — E então a sucessão de golpes continuou.

A cada impacto que eu causava, meu corpo entrava em êxtase.

A cada choque que eu causava, minha mente entrava em branco.

— Hyah! Hah! Hyah!

Meu treino seguia, até que foi interrompido pela voz de Leonardo, que surgiu de repente por ali.

— Mestra, seu celular, Seth está chamando — avisou ele, entregando meu celular em minhas mãos para que eu o atendesse.

Era noite de quinze de fevereiro. Eu havia pedido o número do celular de Seth após termos nos encontrado para planejar a negociação que se desenrolara três dias antes, mas não esperava que ele fosse me ligar tão cedo.

— Seth? O que aquele velho bêbado quer comigo agora? — resmunguei, atendendo aquela ligação inesperada.

— Olá, garota. — A voz rouca e desagradável dele me cumprimentou do outro lado da linha.

— O que você quer comigo? — Fui direto ao ponto, não gostaria de prolongar nenhum tipo de conversa com aquele sujeito.

— Ora, não seja tão bruta assim comigo, garota, desse jeito você me magoa — disse ele, naquele tom irônico que eu tanto odiava.

— Vá logo direto ao assunto, você não me ligaria só pra dizer "oi". Deve ter acontecido algum problema, certo?

— Sim, tem um problema. A Dri... A mãe do Artenis... ela foi sequestrada. — Dessa vez ele falou com uma seriedade que eu não costumava ouvir em sua voz. Para que Seth falasse daquela maneira, realmente deveria ser algo grave.

—O quê...? — perguntei, descrente.

— Foi o que você ouviu, os vampiros sequestraram ela pra conseguirem o sangue do garoto — repetiu.

— Entendi, então você quer a minha ajuda de novo?

— Sim, mas não sei bem se você tá na condição de ajudar alguém.

Não sabia ao certo se ele estava realmente preocupado com a minha saúde, já que eu havia sido envenenada pelo veneno daquele vampiro, ou se ele estava apenas zombando de mim sutilmente. Independente disso, fiquei frustrada com aquela pergunta e respondi de maneira irritada:

— Não, estou perfeitamente bem agora. Um veneno qualquer desses não me derrubaria por tanto tempo. Aquilo foi apenas um golpe de sorte daquele vampiro bastardo.

— Sei, sei... — Seth concordou num tom desacreditado. O quão mais esse velho pretendia zombar de mim? — Então, eu gostaria que você viesse pra minha casa daqui a pouco, a gente vai partir por volta das dez horas da noite. Se prepare e traga o seu namorado também, ok?

— N-namorado?!

Do que diabos ele tá falando?!

— Então, até mais! — despediu-se ele, ignorando minha pergunta.

Maldições de SangueOnde as histórias ganham vida. Descobre agora