O Plano de Seth 06 (Marcelly)

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A Caçadora

A alguns metros diante de mim estavam dois vampiros, provavelmente eram gêmeos, pois compartilhavam da exata mesma aparência: cabelos roxos e olhos de mesma cor, pele pálida e altura por volta de um e sessenta. Eles também trajavam as mesmas roupas: colete avermelhado sobre uma camisa social branca, calça marrom e sapatilhas pretas. Aparentavam ter cerca de quatorze anos de idade, mas por trás daqueles olhares frios e sorrisos cínicos esboços em seus rostos, os anos de experiência que acumularam como assassinos eram nítidos.

Eu segurava o cabo da minha katana com firmeza, minha respiração estava controlada, meus batimentos cardíacos estavam desacelerados, meus olhos estavam bem abertos e minha mente estava em branco. Quantas vezes eu já me encontrara naquela situação, entrando em mais uma batalha de vida ou morte contra essas coisas, essas anomalias? Já havia perdido a conta. Mas isso não importava, naquele momento, eu não podia pensar em mais nada, minha atenção estava completamente voltada a eles — como caçadora, eles eram os meus alvos.

Mas isso não significava que seria fácil, nunca foi.

Além de serem vampiros, seres que naturalmente — ou talvez anormalmente — possuíam uma vantagem superior sobre humanos em força física e agilidade, eles estavam preparados, assim como eu.

Os dois portavam canivetes, carregavam dois em cada mão, para ser precisa.

E então, sem nenhum sinal ou aviso prévio, eles começaram a correr em minha direção.

Estranhamente, eles corriam em ziguezague, intercruzando seus movimentos, mas eu conhecia aquela técnica. Eles queriam me confundir, pois meus olhos humanos eram incapazes de seguir a trajetória deles de forma que previssem qual deles me atacariam ou em que direção ou ângulo. Mas felizmente eu estava preparada, a lâmina da minha katana era longa o suficiente para cobrir a área de alcance das lâminas dos canivetes deles, embora a quantidade ainda fosse um problema.

E então...

Nossas lâminas se chocaram, enchendo meus ouvidos com o som do atrito causado entre elas enquanto pequenas faíscas voavam pelo ar. Combate com armas brancas era minha especialidade, então foi relativamente fácil bloquear o ataque dos dois ao mesmo tempo; até aquele momento, eu estava com a vantagem. Empurrando a lâmina da minha katana, consegui afastar aqueles canivetes de mim e então tive a oportunidade para atacar, foi então que nossa "dança" teve início.

Movimentos de esquiva, bloqueio e ataque eram executados em perfeita sincronia, como se tivessem sido coreografados. Porém, aquela dança já durara tempo demais, e as lâminas desgastadas dos canivetes partiram-se. Nesse momento, os vampiros recuaram, uma decisão sábia a ser tomada.

— O que foi? Cansaram de lutar? — perguntei, sorrindo satisfeita com os resultados de meu treinamento.

— Não, está sendo divertido — respondeu um deles, também esboçando um sorriso.

— Principalmente contra alguém tão habilidosa quanto você — completou o outro.

Eles pareciam realmente estar se divertido. Parecíamos estar no mesmo nível, de modo que mesmo uma luta mortal como aquela, em que cada golpe poderia acarretar em graves ferimentos, parecesse uma brincadeira entre crianças — não que eu estivesse levando isso como uma, afinal, eu tinha ciência do que estava em jogo.

Artenis Louis, o ponto principal da minha missão, o garoto meio-anjo que me ajudara a recuperar minha vida após me encontrar à beira da morte como consequência de tê-lo salvo. No meu coração, me lembrei das palavras de encorajamento que ele me deu durante nosso encontro no parque mais cedo naquele dia. Foi então que pude ver, ele realmente era uma pessoa gentil — e ele estava correndo perigo.

Maldições de SangueOnde as histórias ganham vida. Descobre agora