PARTE 4: Um Novo Dia 01 (Artenis)

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Último Confronto

Acho que eles não vão vir, garoto — comentou Seth, que então tomou mais um gole de seu uísque barato.

Nós estávamos no ponto de encontro marcado por Marcelly pelo celular, o Parque da Mangabeira, que já havia sido feito de ponto de encontro uma vez na noite anterior, mas já se passara quinze minutos desde que havíamos chegado ali, e nada da Marcelly e os outros chegarem.

— É, também acho... — concordei, sentado num dos bancos do parque. — Será que aconteceu alguma coisa com eles? Você deixou a Violeta escapar, talvez ela tenha feito alguma coisa...

— Eu não deixei ela escapar, ela só escapou — explicou ele, em vão.

— Sei...

— O que você queria que eu fizesse? Ela é uma vampira completa, e uma das fortes, não sou todo-poderoso.

— Ah, eu entendo.

— Você não fez nada também.

— É, não precisa esfregar na minha cara...

— E você se deixou ser pego.

— Tudo bem, já entendi!

Ele já estava começando a me irritar.

Foi então que meu celular começou a vibrar no meu bolso novamente, e eu rapidamente o atendi, ansioso pelas notícias que poderia receber. O número mostrado na tela era o da caçadora.

— Marcelly, oi! Por que você ainda não chegou? Teve algum problema? — Sem perceber, já havia a enchido de perguntas.

Mas a voz que me respondeu do outro lado da linha não era a de Marcelly.

— Aqui não é a "Marcelly", acho que ela não pode responder no momento, mas, sim, eu creio que ela esteja com problemas...

Era uma voz infantil e arrogante, uma voz que eu odiava e esperava nunca mais ouvir na minha vida.

— Se desejar, pode deixar um recado para ela... embora seja eu que tenha um recado para dar para você, garoto do sangue angelical.

Era a voz de Violeta.

— Filha da puta, o que você fez com ela?! — Acabei gritando, o que chamou a atenção de Seth, que já parecia saber do que se tratava a situação, julgando pelo olhar desconfiado dele.

Violeta apenas deu uma risada, o que quase me fez desligar ali mesmo, não fosse pelas circunstâncias aparentemente perigosas.

— Não se preocupe, ela ainda não está morta, mas não posso garantir isso caso você não chegue aqui em menos de uma hora. Oh, o lobisomem e a sua amiga também estão aqui, se eu fosse você, me apressaria.

Leonardo, Liza...!

— Fala logo onde você tá! — exigi.

— Como desejar, estou no topo do morro próximo à saída da cidade, você não deve estar muito longe. Agora que sabe, até mais, estou ansiosa pelo nosso encontro!

E então ela desligou, sem me deixar dizer nem mais uma palavra.

— Desgraçada! Droga!

Os meus piores medos foram confirmados, aquela sensação ruim de antes então consumia meu coração por inteiro.

— E então, a gente vai lá? — perguntou Seth, ele provavelmente ouvira a conversa inteira com a audição aguçada dele.

— E você ainda pergunta? Claro que sim — respondi, me levantando do banco.

Maldições de SangueOnde as histórias ganham vida. Descobre agora