Um Novo Dia 03 (Artenis)

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Despedida

Eu estava no escuro, completamente absorto nas trevas, que me cercavam por todos os lados.

Onde eu estou...?

Eu me perguntava, enquanto caminhava por aquela escuridão que parecia não ter início ou fim.

— Você perdeu, Artenis. — Ouvi uma voz ecoar no escuro, mas não consegui identificar sua origem ou a portadora dela.

— Como assim? Perdi o quê? — perguntei à voz.

— A sua humanidade, agora não há mais volta.

— Entendi, é verdade...

— Você desistiu, é um perdedor, um fracassado. Passou a depender dos outros e por isso acabou perdendo tudo que mais importava a você.

— Isso é mesmo verdade?

— Sim, e é por isso que você está aqui, sozinho, no escuro. Você perdeu tudo.

— O-o que eu posso fazer agora, então?

— Se entregue.

— M-me entregar?

— Ao vazio, à escuridão, a mim...

Entendi, essa voz... é a maldição que se apossou do meu corpo, é a escuridão que se alojou no meu coração.

— Não há mais nada mais que você possa fazer — disse ela.

Sua voz era tentadora, e minhas pernas começaram a se mover em sua direção, seja lá qual fosse ela.

No entanto, uma segunda voz cortou a escuridão.

— Artenis!

Era a voz de Marcelly.

— Por favor, não vá embora!

— Marcelly...

Minhas pernas pararam de se mover.

Senti algo molhado cair sobre o meu rosto, escorregando sobre minha bochecha. Aquilo era... lágrimas?

* * *

Abri os meus olhos.

Vi Marcelly agachada ao meu lado, dos seus olhos, que voltaram a ser verdes como antes, lágrimas se desprendiam, caindo sobre mim. Ao me ver abrindo os olhos, a caçadora sorriu, ainda chorando.

— Artenis, se sente bem?! — perguntou.

— S-sim... — respondi, levantando o meu tronco e me apoiando com as mãos no chão.

Até demais, não sentia nenhum vestígio da dor que antes esmagava meu corpo.

— Que bom! — comemorou ela, envolvendo seus braços ao redor do meu pescoço num abraço apertado, mas aconchegante, nunca vira alguém tão feliz por me ver bem assim.

— Mas agora eu...

Eu havia me tornado um vampiro, eu podia notar a diferença.

Mesmo estando de noite, eu via tudo com uma nitidez que nunca havia tido durante o dia, eu também podia ouvir cada som ao meu redor com clareza, desde o farfalhar das folhas até o vento se chocando contra as rochas.

— Sim, nós podemos nos preocupar com isso depois — falou ela, soltando-se de mim, então se levantou. — Eu não vou deixar a Magnólia caçar você, não depois de tudo que você fez... Eu devo minha vida a você.

— E o que você pode fazer pra impedir a Magnólia, garota? Você deve saber mais do que ninguém aqui que eles são uma organização poderosa — inquiriu Seth.

Maldições de SangueOnde as histórias ganham vida. Descobre agora