O Retorno de Elizabete 08 (Marcelly)

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Das Sombras

Estava escuro, as sombras devoravam qualquer coisa além de dez metros de mim; alguns filetes prateados de luz da lua atravessavam os pequenos espaços entre as folhas das árvores acima de nós, mas pouco iluminavam nosso caminho. À frente de Leonardo e eu, Elizabete caminhava na escuridão sem temer, nos guiando como nossos olhos. Descíamos pelo morro sem trocar nenhuma palavra, apenas o grilar dos grilos mata adentro podia ser ouvido.

Leonardo discretamente aproximou-se de mim, vindo sussurrar algumas palavras em meu ouvido:

— Realmente podemos confiar nela?

— Claro que não — sussurrei em resposta —, mas ela é minha amiga, e sinto que pelo menos parte de mim ainda confia nela. Ainda assim, devemos ficar de olho.

— Certo.

— Eu posso escutar vocês, sabiam? Afinal, eu sou uma vampira — avisou Elizabete, num tom um tanto zombeteiro; apesar de tudo, ela ainda permanecia calma ao saber disso.

Vendo que ela decidiu falar alguma coisa, iniciei uma conversa:

— Elizabete, a propósito, o que você pretende fazer depois de pegarmos o Artenis de volta?

— Não fale nele como se ele fosse só um objeto, ele ainda é meu amigo, sabia? — Ela me repreendeu.

— M-me desculpe, é que... — Quando ela falava naquele tom sério, era difícil respondê-la.

— Irei tentar salvar meu amigo, com a ajuda do Artenis, talvez seja possível — falou ela, de qualquer modo.

— Seu amigo...? Ah, fala de...

— Sim, ele. Ele foi envenenado pela Violeta para me manter sob seu controle, creio que tem pouco tempo de vida agora, mas sei onde encontrá-lo.

— Então ela fez isso também? Essa Violeta é realmente um monstro...

— Do pior tipo.

— Mas, se me lembro bem, pelo que você me contou naquele dia no parque, esse seu amigo não é...?

Acho que o nome dele era Viktor, que eu me lembre, ele era...

— Sim, o lobisomem — confirmou.

— Entendo...

— Você tem algum problema com isso? — perguntou Elizabete, que continuava a seguir adiante sem olhar para trás ou para os lados.

— Bem, não posso dizer que não, você sabe para que organização eu trabalho...

— E também sei no que acredita. Mas não se preocupe, acho que a sua ajuda não vai ser necessária para salvar o meu amigo, só o Artenis deve ser o bastante, então você vai poder se livrar desse fardo.

— Não fale assim, por favor... — pedi. — Mesmo que você seja uma anomalia agora, ainda é a minha amiga, é claro que eu gostaria de ajudar.

— Eu... fico feliz em saber disso...

Após mais alguns segundos de silêncio, Elizabete voltou a falar:

— Marcelly, você tem o número do Artenis?

— Do celular dele? Sim... por quê? — perguntei, a questão dela pareceu ter saído do nada.

— E tá com o seu celular aí?

— Sim, quer que eu ligue pra ele agora?

— Sim, ele já pode ter acordado. Nesse caso, seria melhor falar com ele para marcar um ponto de encontro.

Maldições de SangueOnde as histórias ganham vida. Descobre agora