O Sangue de Artenis 08 (Marcelly)

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Relatório

Após ter nos dito aquelas coisas misteriosas, aquele velho bêbado partiu, levando Artenis em seu carro. Ainda confusa, me virei para Leonardo e o perguntei:

— O que ele quis dizer sobre a nossa organização e por que ele se referiu a você?

— Não sei... — respondeu Leonardo.

— Hmm...

Pelo modo como ele desviou seus olhos de mim enquanto me respondia, suspeitei de que ele sabia de algo, mas deixei essa passar, naquele momento, estava mais preocupada com outra coisa.

— Leonardo, você acha que exagerei?

— Sobre o que fala, mestra?

— Bem... sobre quando derrubei Artenis no chão...

Não tinha somente o derrubado no chão, mas não queria dar mais detalhes àquilo porque a culpa já me doía no coração.

— Talvez um pouco, mas foi necessário — respondeu ele.

— Necessário... entendo.

Mesmo assim, certamente não era como deveria ter tratado alguém que salvara minha vida, mesmo eu tendo arriscado a minha por ele antes.

— Enfim, vamos retornar à base, foi um longo dia — falei, estendendo meus braços para o alto para me espreguiçar, meus músculos estavam rígidos, e algumas juntas do meu corpo ainda doíam.

— Tudo bem, vamos a pé ou você vai pedir um transporte?

— Transporte, claro. Não posso sair por aí vestida assim — respondi, ainda estava usando as vestimentas do hospital.

— Certo... Ah, aqui está seu celular, mestra — disse Leonardo, retirando o aparelho do bolso de sua calça e o entregando em minhas mãos, já havia me esquecido de que não estava mais com ele.

— Ah, sim.

Liguei o celular e acessei minha lista de contatos. Nela, só havia três números; escolhi o primeiro deles, que era o contato direto da base da Magnólia em Nascente. Ao contatá-la, solicitei a vinda de algum veículo que pudesse vir nos buscar no endereço em que nos encontrávamos.

Felizmente, estávamos próximos à base, então o veículo que nos mandaram não demorou a chegar, era um carro preto. Entramos nele e partimos em direção ao nosso destino. Durante a viagem, entediada, decidi dar início a uma conversa:

— Leonardo, o que achou do Artenis?

— Ele parece ser bem normal, apesar de tudo — respondeu ele, de maneira franca.

— Só isso?

— Não... além disso... — Leonardo olhou para através da janela do veículo, parecia meditar sobre suas próximas palavras. — Não sei dizer, mas imagino que ele deve ter passado por muita coisa...

— Entendo...

Eu realmente podia compreender, toda vez que olhava para Leonardo, sentia que ele passara por muitas situações difíceis também. Talvez ele tenha se identificado com o Artenis de certa forma.

— E você, mestra? O que achou dele? — perguntou ele.

— Ainda o acho antipático — respondi de primeira, mas, sorrindo, prossegui: — Mas até que ele tem um lado gentil.

— Será que ele ficará bem com aquele homem? — Leonardo indagou algo que eu também me perguntava.

— Não sei, espero que sim...

Maldições de SangueOnde as histórias ganham vida. Descobre agora