Um Novo Dia 02 (Marcelly)

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Rendenção

— Mestra, você tá bem? — perguntou Leonardo, sua voz demonstrava preocupação.

— Sim... e eu já te disse pra não me chamar de mestra — respondi, meio sonolenta, havia acabado de abrir os olhos.

Quando percebi, vi que estava deitada sobre os braços de Leonardo, que me segurava agachado sobre o solo gramado. Aquele parecia ser o topo do morro em que Elizabete e eu havíamos lutado, mas por que estávamos ali novamente? Pelo que me lembrava, estávamos saindo daquele morro, quando...

— Violeta, onde tá ela? — perguntei, enquanto me levantava com a ajuda de Leonardo.

— Ela já se foi, eu cuidei dela. — A voz que me respondeu foi a desagradável daquele velho bêbado, ele apareceu a alguns metros diante de mim, Artenis estava ao seu lado, ele me olhava com uma seriedade que eu nunca havia visto antes em seu olhar, então me perguntou:

— Marcelly, o que aquela vampira disse... é verdade?

— Hum? Violeta? O que ela disse?

— Ela disse... que você matou a Liza... Isso é verdade?

— Elizabete... ela... morreu...?!

— Sim... eu encontrei o corpo dela no caminho pra cá, e a sua katana tava do lado dele... Marcelly, me diz, o que aconteceu?

— Eu e a Elizabete brigamos, sim, mas depois nós entramos num acordo, e a gente tava indo se encontrar com vocês, quando a Violeta apareceu e... — Eu me forçava a lembrar dos acontecimentos daquela noite, que ainda estavam um pouco nebulosos em minha memória. — Ela tomou controle da Elizabete, eu acho, e então ela...

Isso, ela me mordeu.

Então eu me transformei numa vampira, não foi?

— Não... isso não pode ter acontecido! — gritei, colocando minhas mãos ao redor da minha cabeça.

Como aquilo aconteceu? Como eu deixei aquilo acontecer?!

— Marcelly, o que houve? — perguntou Artenis, preocupado. — O que aconteceu depois?

— Ela me mordeu, e... eu matei ela... — confessei, olhando para o chão, não conseguia sequer me levar a olhá-lo nos olhos.

Foi tudo tão rápido que parecia uma alucinação, mas era verdade.

Eu tinha matado ela, minha melhor amiga, a amiga de Artenis também, o garoto que eu deveria salvar.

— V-você... — Artenis grunhiu, mas não completou sua sentença, eu não conseguia imaginar que tipo de expressão ele tinha em seu rosto.

— Artenis, por favor, entenda, não foi porque ela quis! — Leonardo subitamente interveio por mim. — Eu vi, ela atacou a Marcelly do nada, foi culpa da Violeta, ela tava controlando ela assim como fez com a Marcelly antes!

Artenis permaneceu em silêncio.

— Tudo bem, Leonardo, você não precisa me defender — pronunciei-me, levantando minha cabeça. — Eu sou a responsável pelas minhas ações...

Puxei a pistola do coldre no meu cinto e a apontei para minha cabeça, então completei:

— E sou eu que devo pagar por elas.

— M-Marcelly! — Artenis me chamou, espantado, e eu levantei meu olhar para ele, seu rosto estava pálido, Seth, ao seu lado, permanecia com um olhar calmo e frio. — Você não precisa fazer isso, e-eu entendo!

Maldições de SangueOnde as histórias ganham vida. Descobre agora