O Retorno de Elizabete 05 (Artenis)

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Dor

— Ora, estão resistindo?

A voz repentina de Violeta interrompeu a luta que estava para se iniciar entre Seth e Elizabete, e todos voltaram sua atenção para acima do prédio oeste, onde estava ela erguendo minha mãe pelo pescoço com uma mão enquanto segurava um punhal com a outra.

— Mãe! — gritei. — Sua desgraçada, larga ela!

— Sério? Tenho certeza de que ela não sobreviveria a uma queda de cinco andares... Huhuhu. — Ela riu como se tivesse acabado de contar uma piada muito engraçada.

— Sua filha-da-puta, você não...

— Essa é sua última chance, garoto angelical. — Ela me interrompeu. — Dê-me seu sangue e eu lhe entrego sua mamãezinha sã e salva. Que tal? — Sorriu, triunfante.

Então... esse é o único jeito, né...?

A humanidade pode ficar em risco, mas pelo menos terei Elizabete e minha mãe ao meu lado. É como Seth me disse, no mundo sobrenatural não há "certo" ou "errado", não há como seguir as regras do mundo humano. Este é um mundo cruel e irracional, então... eu...

— Tsc, tudo bem... eu topo! — respondi, enquanto caminhava em direção ao prédio onde Violeta se encontrava.

— Artenis, não!

De repente, ouvi a voz de Marcelly gritar e senti sua mão segurar a minha, me puxando de volta e me fazendo recuar os passos que dei.

— Você se esqueceu do que está em jogo aqui?! É algo muito maior do que nós, pode ser o destino da humanidade! Você vai desistir da sua própria humanidade por mero capricho?!

Virei-me e olhei para o rosto dela, estava ferido e ensanguentado assim como o resto de seu corpo. Parecia que ela acabara de sair de mais uma luta feroz e sangrenta, e eu realmente me sentia aliviado por ver que ela havia sobrevivido, mas...

— Marcelly, o que tá em jogo aqui não é só minha humanidade, mas as pessoas que eu mais amo nesta vida! Eu sei que posso tá sendo egoísta, mas... eu não quero perder as pessoas mais preciosas pra mim. Mesmo que isso custe minha humanidade, eu não me importo! Eu nem sou um humano completo pra começo de conversa...

Marcelly me olhava sério nos olhos. Fechou seus olhos por um instante como se estivesse se concentrando, e então me respondeu num tom grave:

— Tudo bem, eu entendo... Você é mesmo gentil demais pra seguir a razão... — Enquanto pronunciava tais palavras misteriosas, a caçadora ergueu a katana que empunhava no ar, então prosseguiu: — Já que é assim, eu... eu não tenho escolha senão matá-lo!

E então eu vi aquela lâmina descer em direção a mim, sem nenhuma hesitação.

Contudo.

Seth surgiu atrás de Marcelly, segurando o pulso dela antes que ele movesse a lâmina sequer mais um centímetro em minha direção e, com seu mesmo tom cínico de sempre, disse:

— Que tal a gente acalmar os ânimos por aqui, hein?

— Se encostar mais um dedo em mim, mandarei Leonardo acabar com você, velho bêbado! — rosnou Marcelly.

— Ora, mas que nervosinha você tá. Será que você se apoia no seu cãozinho-de-guarda pra tudo? — perguntou Seth, sarcástico mesmo numa situação inapropriada como aquela.

— Seu...! — A caçadora tentava se mover, mas o meio-vampiro era muito mais forte do que ela.

A situação estava crítica, a tensão entre aqueles dois só aumentava e, se eu não fizesse algo, era capaz de mais uma luta se desenrolar ali, acabando de vez com o nosso plano. Então, mais uma vez, eu tive que intervir:

Maldições de SangueOnde as histórias ganham vida. Descobre agora