Capítulo 20 - De volta ao mar

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Gerolt permaneceu acordado durante a noite, fazendo rondas e distribuindo ordens para os outros guardas, que se revezavam em turnos de vigia. Os outros cinco membros do grupo, entretanto, dormiram até muito depois do sol pintar o céu de roxo.

Celine e Dario ficaram juntos na cama. A jovem adormeceu meio sentada, com a cabeça do capitão encostada em sua barriga. Isa dormiu na cadeira, de olhos em Mondegärd. Adriel foi único a descansar confortavelmente, sozinho no último quarto vago da hospedaria. Gerolt não os acordou e cochilou em uma das mesas do térreo por alguns minutos. Mal tinha pregado os olhos quando Mondegärd o acordou.

- Ei – chamou o mago. – Quer me explicar o que aconteceu ontem depois que desmaiei?

Gerolt bocejou e olhou para o amigo, a mente ainda incrédula.

- Só se você contar o que houve antes de você desmaiar.

Ambos relataram suas histórias e ficaram impressionados tanto com a mulher-peixe como com a salvynna que havia atacado o trio tão perto de uma cidade.

- Nunca vi uma, mas já ouvi falar delas – comentou Gerolt. – São perigosas. Foram plantadas em terras humanas quando os monstros do Norte passaram por aqui.

- Pois é... Quem imaginaria sobrevivermos para contar a história. Se bem que, na verdade, estamos vivos graças ao capitão. Fui pego como um idiota. Até agora não sei como nos salvou. Celine estava presa e Dario não pode usar magias que controlam o vento. O maldito deve ter suportado o gás apenas com a força de vontade e tirado Celine da prisão com as próprias mãos – estão todas cortadas pelo que vi.

- Não fique chateado – tentou animá-lo Gerolt. – O jovem comandante é um guerreiro muito acima da média.

- Poderoso como poucos – concordou o velho. – Mas não diga a ele, o garoto precisa de experiência e não de orgulho.

- Concordo.                                                                            

A tarde chegou e os dois resolveram problemas burocráticos com o dono da taverna. O proprietário receberia uma quantia em moedas de cobre pelos danos causados à hospedaria.

Os outros acordaram, inclusive Dario. Celine pediu para que repousasse um pouco mais, porém o jovem não a ouviu. Colocou novamente a faixa na testa e convocou os demais integrantes da comitiva.

Dario mostrou-se incomodado com toda a situação, todos perceberam.

- Gostaria de desculpar-me com vocês – começou o comandante, o semblante grave. – Não fosse minha decisão de desrespeitar as leis do reino e ajudar a kanayr, não teríamos passado por isso. Não fosse um verdadeiro milagre, Mondegärd estaria morto. Por isso peço desculpas. Prometo-lhes medir minhas vontades de agora em diante.

Isa, Adriel e Celine não concordaram com as palavras do príncipe. Também queriam ajudar a mulher-peixe, mas não conseguiram falar nada, pois Dario continuou em seguida:

- Perdemos tempo demais aqui. Agora a mulher-peixe já está bem e me certifiquei de que Jamen a leve até o mar, seguindo as indicações da própria kanayr. Será escoltado por alguns guerreiros. – O jovem pensou por um tempo. – Acredito que o ocorrido serviu como um teste para nosso grupo. A atuação não foi perfeita, mas superamos o desafio. Vamos prosseguir nossa viagem gastando metade do tempo planejado. É a única forma de recuperar as horas gastas. Peguem suas coisas e me encontrem em frente ao bar.

Celine pensou em interferir pedindo mais um tempo para que ele próprio pudesse descansar, mas Isa a repreendeu apenas com o olhar, como se pudesse ler seus pensamentos.

Em poucos minutos, todos estavam em seus cavalos em frente à taverna.

- Tome cuidado, Jamen. Eles voltarão, estou certo disso – Dario alertou o oficial. – É melhor que partam da cidade o mais rápido possível.

- Não se preocupe, Mestre Comandante, estaremos preparados. E obrigado por tudo.

Os seis guerreiros seguiram seu caminho indo para o sul. No entanto, a comitiva não imaginava que Jamen nunca retornaria a Menfatz e viveria em um pequeno vilarejo na costa leste do reino, casado com a mulher-peixe, a qual tinha – descobriu-se depois – o nome de Leira. Os dois geraram um filho de nome Gnolra, de pele azul, quase três metros de altura e força descomunal.

Gnolra, inclusive, muitos anos depois, seria protagonista em uma história épica envolvendo o grupo de mercenários responsáveis pelo rapto de sua mãe, que ocorrera muitos anos antes dele próprio nascer. O grupo, comandado por um rico senhor de Naglorändill, traficava kanayrs e criara uma sociedade paralela em sua cidade empregando os seres desta raça como escravos.

Com a kanayr-peixe de volta ao mar, Dario e os outros estavam prontos para seguir viagem. Qual será o próximo destino do grupo? Descubra nesta segunda (09.03) às 20h30 no Capítulo 21 - Eu gosto de você.

Olá, pessoal! Assim acabamos essa pequena história da mulher-peixe. Esta etapa da aventura teve como um dos objetivos apresentar a primeira raça de Meerã: os kanayrs. Além deles, todos puderam conhecer a criatura salvynna. No decorrer do livro, aparecerão outras criaturas ainda mais perigosas e curiosas. Espero que todos continuem curtindo o enredo.

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Era Perdida: O Globo da MorteLeia esta história GRATUITAMENTE!