Capítulo 26 (Parte 1) - Promessa

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- O resto vocês conhecem... – concluiu o príncipe. E se levantando, continuou: – Mas acho que está bom por hoje. Desta vez eu fico de guarda. A última vez que o Adriel ficou, acabou levando uma flechada na testa... – sorriu.

- Ei! Foi só uma ilusão... – reclamou Adriel. Todos sorriram e foram para suas tendas.

Dario caminhava lentamente e olhava para o céu. Hoje não faltavam estrelas para contar e até mesmo a lua parecia maior e mais brilhante. Mesmo com um espetáculo da natureza para contemplar, na cabeça do príncipe permanecia a declaração de Celine. O assunto fora deixado de lado devido aos perigos da Floresta, mas cedo ou tarde precisaria responder.

“Tenho 21 anos... Nessa idade, muitos já possuem mais de um filho e vivem em família. Não tenho o direito de me fazer de criança”, pensava.

Dario sabia que em Mylstain, reino onde vivia, homens e mulheres entravam na fase adulta aos 16 anos e muitos constituíam família já nessa idade. Ele, no entanto, passara tempo demais como soldado ou príncipe, e nunca pensara nessas questões.

- Olá...

A voz feminina quase derrubou Dario de susto. Os pensamentos haviam desligado sua atenção, que funcionava como um sexto sentido.

- Oi, Celine... É você, que bom... – recuperava-se o capitão.

- Sorte que eu não era um Ishtar, hein? – sorriu a jovem.

- Pois é... – Dario riu um riso torto. – O que houve?

- Não consigo dormir... – respondeu a moça, olhando andando para perto do príncipe. – Vim tomar um ar. E a Isa ronca muito...

Os dois sorriram.

- Pensando bem, felizmente você é bem magrinha, pois a Isa deve ocupar boa parte da cabana.

- Nem me diga...

Seguiu-se um silêncio. Depois de um tempo, a moça despediu-se:

- Bom, vou tentar dormir. Tenho que estar preparada para mais algumas centenas de horas sem descanso...

- Não exagere – sorriu Dario. – Mas realmente descansar é uma boa ideia.

- Ok. Até amanhã. E vê se pega leve com a gente, capitão – piscou e se virou a moça.

Celine voltava para sua cabana quando Dario a chamou:

- Celine!

- Ah?

- Sobre hoje...

- Não precisamos falar sobre isso, Dario. Estamos bem. De verdade.

- Não. Espere... – pediu Dario. E ficou em silêncio por um tempo. O rosto de Celine corou. A ansiedade voltou a crescer.

O príncipe respirou fundo e virou-se para a jovem.

- Sobre o que aconteceu hoje... A verdade é que eu nunca pensei nisso. Ser príncipe e Mestre Comandante ocuparam minha mente por quase toda minha vida. Sei que já sou um adulto, tenho 21 anos, mas nunca pensei em namorar, me casar e constituir uma família. Por isso... Quero lhe pedir um favor...

Neste momento, Dario se aproximou da amiga e a tomou pelas duas mãos.

- Por favor, me espere. Quando terminarmos esta missão e voltarmos a Targodriath, prometo que lhe darei uma resposta verdadeira. Não vou fugir.

Celine não esperava que Dario puxasse ele próprio o assunto. Pega de surpresa, a garota ficou vermelha e ofegante. Não sabia direito como responder, então permaneceu um tempo em silêncio, olhando para o chão. Depois endireitou a visão e fixou-a nos olhos do príncipe.

- Por que tudo para você precisa ser como uma batalha? Os sentimentos não são seus inimigos, Dario. Apenas pare de pensar por um momento. Esqueça as teorias e os planos. Feche os olhos e sinta seu coração. É mais fácil do que imagina.

A garota silenciou por um momento. Depois, soltou as mãos do príncipe e sorrindo prosseguiu:

- Mas, por outro lado, é esse seu jeito que me conquistou. Então, não se preocupe. Vou esperar. Não precisa pensar nisso até terminarmos esta missão. Só que será o limite. Quando voltarmos à capital vou querer minha resposta, ok? E vê se fica esperto. Senão vai levar uma flechada – e não será uma ilusão.

Celine entrou na tenda e Dario ficou imóvel, matutando as palavras da moça.

- Parar de pensar e sentir o coração... É bem mais fácil falar do que fazer... – concluiu o comandante, contemplando as estrelas.

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