Capítulo 59 - Nêmesis

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- Muito bem, Celine! — elogiou o comandante.

- Obrigada, Dario — sorriu a jovem, orgulhosa.

Com muita cautela, o grupo subiu pela escada e chegou a um grande salão. O local era muito diferente da câmara anterior. A escada acabava no meio de uma sala oval. Em frente a eles, revelava-se uma grande abertura por onde eles viam os misteriosos picos da Cordilheira à distância e o céu limpo. O sol estava do outro lado das montanhas, mas era possível vislumbrar as nuvens e a cor do fim da tarde. Na abertura, haviam colunas de pedra cilíndricas e adornadas que ligavam o chão ao teto. Depois das colunas, uma varanda completava o ambiente. A sala era grande e haviam outras duas portas, uma a leste e outra a oeste, mas não era possível ver o que havia em cada uma delas.

- Aqui é um tipo de terraço — concluiu Adriel.

- Acho que chegamos ao último andar, a sala do Protetor — arriscou Dario. — Armem-se e esperem pelo meu sinal.

Saindo da escada, foram andando em direção à varanda olhando para todas as direções. "Isso aqui está quieto demais...", avaliava o capitão.

- Dario — chamou Celine; seus olhos brilhavam. — Olhe ali na varanda.

Havia um pedestal de pedra muito bem esculpido e sobre ele flutuava um globo roxo.

- O artefato! — gritou Adriel. — Está ali!

- Tenha calma! — reagiu Mondegärd. — Com certeza nosso pior inimigo ainda não se revelou. O verdadeiro defensor da relíquia ainda está vivo, apenas esperando.

Celine não gostou do comentário do mago. Por um breve, porém feliz instante, ela vislumbrou o fim da missão. "Ele tinha que lembrar...", irritou-se. Após todas as provações que viveram nas últimas horas, estava pronta para voltar para casa. "O real inimigo ainda não se revelou...", desanimava-se.

Armados e andando juntos, um de costas para o outro, formando um quadrado, prosseguiram até se aproximarem das colunas adornadas. Dario, que estava na frente, passou por elas e deu um pisão com força na varanda. "Estou aqui! Está vendo?", prensava desafiador, tentando convocar o que quer que fosse.

- Fiquem aqui — ordenou.

Sozinho, deu um novo passo e se aproximou do globo.

- Ele é seu, pode pegar — uma voz gentil foi ouvida por todos vindo do lado direito da sala.

Dario voltou assustado para a parte coberta do terraço sem tocar na esfera e olhou para leste. Arfava tamanha a surpresa.

- Quem está aí?! — gritou.

Um encapuzado atravessou o portal e adentrou a sala usando um sobretudo rasgado. O pano negro escondia todo seu corpo, assim como sua face.

- O que disse?! — perguntou Adriel.

- Eu disse que se quiserem pegar a esfera, é só pegá-la — a voz era mansa e agradável.

- Você é o protetor deste local, não é?! — retornou o guerreiro da grande espada. Depois olhou para Dario e o capitão piscou para ele. Os dois lutavam juntos há anos, e Adriel sabia o significado daquele sinal. De forma que se aproximou vagarosamente da criatura oculta enquanto esta falava.

- Não sou um protetor. Sou apenas um mediador. Estou aqui para dar a esfera para qualquer um que a quiser levar daqui.

O tom doce das palavras da criatura intrigou Celine. Parecia alguém tão bom e justo.

- Entendo... Então podemos pegá-la se quisermos? — insistiu Adriel, estendendo a conversa enquanto aproximava-se do encapuzado.

Quando chegou até certo ponto, ouviu um ruído vindo de trás e neste instante apertou a empunhadura da espada e atacou o homem encapuzado. Durante a trajetória do golpe, Dario invocou chamas mágicas na lâmina do parceiro, tornando a espada de Adriel um grande tufão de fogo escaldante.

- Morra, maldito! — gritou o oficial quando seu golpe atravessou o sobretudo rasgado usado pelo inimigo. Um golpe fulminante.

Até mesmo Celine e Mondegärd, que já tinham visto o golpe combinado antes, assustaram-se com o poder do ataque.

Quando a lâmina terminou seu arco e Adriel a apoiou no chão, as roupas negras caíram no piso, cortadas em duas metades, mas não havia nada no interior delas.

- Mas o que é isso?! — gritou Adriel, voltando-se para os amigos parados próximos às colunas da varanda.

- Ad... — tentou avisar Celine, pois no instante em que Adriel virou-se, as roupas no chão levantaram-se novamente e se aproximaram dele.

- Essa era a forma infalível pretendida por vocês para pilhar espólio protegido por mais de um milênio?

A voz meiga, soprada em seu ouvido direito, aterrorizou Adriel. Paralisado, deixou a espada escapar de sua mão e ficou imóvel, os olhos fechados, pronto para receber um ataque fatal.


O que acontecerá com Adriel e os outros nos momentos finais do livro?

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