Capítulo 13 - Quebrando as regras

977 123 8

Fora da cidade, Dario, Celine e Mondegärd olhavam para os lados, procurando alguma formação diferenciada.

- Impossível. Só poderemos vê-las exatamente meia-noite.

- Por que, senhor Mondegärd? – perguntou Celine.

- Apenas quando a lua está no seu ponto central, no ponto mais alto de seu caminho, a luz incide sobre as folhas da Flor da Meia-Noite e podemos vê-las brilhando.

- Deve ser bonito... – sonhou a garota.

- E é mesmo – ajudou Dario.

O grupo se afastava cada vez mais da cidade, tentando encontrar qualquer sinal de vegetação que não fosse mato e arbustos secos.

- Capitão, se me permite... Por que estamos fazendo tudo isso para ajudar uma fora-da-lei? – quis saber o mago.

Dario ficou em silêncio por um tempo; talvez ele próprio procurasse uma resposta para aquela pergunta. Depois virou-se.

- Não precisamos de motivos para certas coisas. Acho que é isso.

- Só que nós temos uma lei, senhor Dario. A lei é clara quanto aos kanayrs no reino. Deveríamos escoltá-la para fora o quanto antes, não importando suas condições. – A resposta do Mestre Comandante parecia não ter deixado o mago satisfeito.

- Mondegärd, você se acha perfeito? – questionou Dario.

- Obviamente não, capitão. Longe disso... – foi humilde o velho.

- E o rei? Acha que ele é perfeito?

- Com todo o respeito ao seu pai – e ele sabe que eu o respeito muito – acredito que nenhum de nós sejamos perfeitos. Nem mesmo as raças que vivem milhares de anos o são, para mim.

- Pois é, amigo. As leis foram criadas por estas pessoas imperfeitas. Cada rei, cada dinastia, concebeu leis que refletiam seus interesses e os interesses de seu tempo. Como príncipe e como Mestre Comandante, sigo tudo o que me é pedido por meu pai e pela minha responsabilidade – mesmo quando não gosto de tais ordens.

“Entretanto, nenhuma dessas leis e dessas responsabilidades são mais importantes que a vida na minha opinião. A vida é o começo e o fim; e nem mesmo quem a vive tem certeza se já é hora de parar. Quem somos nós para menosprezar a vida daquela mulher-peixe?”

- Eu concordo com você, Dario – pontuou Celine. – Sejam lá quais forem as leis, nunca podemos deixar uma criatura sozinha para morrer. Isso seria simplesmente errado. É o que eu acho.

A jovem estava orgulhosa do capitão por ser um defensor dos mais fracos, mesmo indo contra as leis de um reino autoritário.

Após ouvir o discurso do príncipe, Mondegärd sorriu e pensou: “Quem dera o mundo fosse assim tão fácil”, mas não teve tempo de responder; diante deles formava-se um grande tapete de luzes prateadas, tão belo que calou os três guerreiros.

O movimento das nuvens fazia o reflexo prateado das folhas se moverem, dançando ao sabor do vento e da luz metálica da lua.

- Muito mais bonito do que eu imaginava... – suspirou Celine. A garota parecia embriagada ao testemunhar tamanha obra-de-arte da natureza.

- É a primeira vez que a vejo e também estou encantado – afirmou Dario, também um pouco tonto pela imagem reluzente.

Mondegärd continuava sem palavras, olhando fixamente para as folhas em movimento.

O comandante ficara impressionado com a capacidade da Flor da Meia-Noite em encantar até mesmo um senhor experiente como o mago da companhia.

- São incríveis... – repetia o velho, sem perceber. – São incríveis...

Celine agachava-se para tocar em uma das plantas, sorrindo.

A imagem era bela, a cena inesquecível e a visão inebriante. Tão mágica quanto magia...

- Como magia? – falou Dario, assustado.

Fosse pelo movimento das luzes prateadas, fosse pela breve fascinação provocada pelo campo das Flores da Meia-Noite, era tarde demais quando o príncipe percebeu a terra se movendo abaixo de Celine.

Folhas gigantes e compridas brotaram da terra abaixo da garota e se uniram sobre ela, formando uma gaiola vegetal. Antes da garota poder gritar, um grande tubérculo – como uma imensa batata – saíra do solo.

- Celine! – gritou Dario, mas já era tarde demais. A moça tinha sido pega por uma espécie de monstro da natureza.

Era Perdida: O Globo da MorteLeia esta história GRATUITAMENTE!