Capítulo 09 - Um olho no peixe e outro no gato

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- Uma mulher-peixe?! Aqui em Menfatz?!

A surpresa de Dario foi seguida por todos os outros membros.

- Isso explica a preocupação dos oficiais... – concluiu Gerolt.

- Capitão, isso é muito sério. Pelo que Celine ouviu, as pessoas ainda não sabem o motivo do bloqueio à taverna... – lembrou Isa.

- O que vamos fazer, Dario? – perguntou Celine.

- Mestre Comandante, antes de mais nada, vamos subir as escadarias até a hospedaria e conversar com os oficiais responsáveis pela ocorrência – recomendou Amarato Orënn. – Eles podem nos dar mais informações.

- Tem razão. Precisamos de informações concretas antes de decidirmos como proceder.

Todos subiram as escadas e encontraram outros dois oficiais servindo de vigias em frente à porta de um dos quartos. Os dois reconheceram Dario e Amarato e os saudaram.

O príncipe cumprimentou os dois e foi logo perguntando por mais detalhes.

- Acho melhor os senhores entrarem e verem por si só.

Os seis guerreiros e o subcomandante entraram no quarto e a imagem não deixou de ser impressionante, mesmo para os dois mais graduados oficiais do reino.

Em uma espécie de banheira, constituída de cerâmica marrom, havia uma mulher de cabelos compridos e negros repousando com os braços apoiados na borda do recipiente, com apenas uma toalha cobrindo o busto. Entretanto, mesmo que estivesse com os seios à vista, nem Adriel iria notá-los, pois na outra extremidade da banheira improvisada havia uma grande cauda de peixe azul e escamosa.

- Deuses! – gritou Celine, cobrindo os lábios com as mãos.

A mulher-peixe parecia desgostosa com a situação e a exclamação da moça pouco ajudara ela a relaxar. Segurando com força as bordas do recipiente onde se encontrava, abaixou o tronco e entrou completamente sob a água, levantando sua grande cauda.

- Não, não! Calma, senhora! – tentou consertar a jovem guerreira.

- Tenha calma você, sua exagerada... – repreendeu Isa.

- Provavelmente a pequena aqui nunca viu uma criatura como esta – inferiu Mondegärd, olhos fixados na moça.

- Tudo bem, Celine. Não tem nada de mais. Vamos conversar com ela e descobrir o que está acontecendo – disse o comandante, tentando acalmar a jovem de apenas 23 anos.

- Senhor, com licença – chamou um dos guardas da porta. – Ela não fala nada. Aparentemente nem consegue entender o que estamos dizendo.

- Tudo bem, soldado. Por favor, feche a porta. Vamos tentar falar com ela. Depois, quero saber exatamente como tudo começou – comandou Dario.

O homem então fechou a porta e os sete ficaram dentro da sala. O príncipe se aproximou da banheira e se ajoelhou perto dela.

- Senhor Mestre Comandante. Não deseja que eu resolva isso para poderem retomar a missão? O seu pai não gostaria de ver você aqui – advertiu Amarato.

- Não se preocupe, senhor Amarato. Podemos resolver isso rapidamente. – E colocando as duas mãos sobre a borda da banheira, Dario se virou para a moça com calda. – Senhorita, por favor, consegue me ouvir?

Ao olhar para baixo, Dario viu a face da jovem sob a água, os cabelos como ondas ziguezagueando; sua face era pálida e lisa, seus olhos miravam fixamente o príncipe. A moça, entretanto, não respondeu e nem saiu da água por um longo minuto.

- Aparentemente ela pode respirar sob a água – pontuou Adriel.

- Não me diga, gênio! – ironizou Isa.

- Tenham calma, vocês dois – repreendeu Gerolt.

Dario fez mais algumas tentativas, porém não conseguiu nada. A jovem continuava muda e afundada. Sem sucesso no contato com a mulher, todos deixaram a sala e se reuniram aos outros dois guardas no lado de fora.

- Bem, realmente ela não fala nada... – bufou Dario.

- Conosco foi a mesma coisa, Mestre Comandante.

- Então, por favor, relatem como ela veio parar aqui... – antes de terminar, entretanto, Amarato Orënn se antecipou ao príncipe.

- Senhor Mestre Comandante, em verdade, não precisamos dessas informações para darmos cabo da situação. A lei do reino é clara: apenas humanos podem viver em Mylstain. Esta mulher de cauda, claramente é uma kanayr...

- É uma o quê? – perguntou Celine, assustada.

Amarato olhou para o teto. Isa maneou a cabeça em reprovação, Dario sorriu e Mondegärd respondeu:

- Celine, não nos faça passar vergonha. Sua idade não é pretexto para não conhecer os kanayrs.

- Eu sei o que são! Eles não são humanos, certo? – tentou consertar a jovem.

- Pelos deuses, garota! Pare de passar vergonha! Você já tem 23 anos! É dois anos mais velha que o comandante! – gritou Isa.

Celine assustou-se com a reação da amiga e fechou a cara, dando as costas para o grupo e dirigindo-se para um dos quartos. Ao entrar, trancou a porta.

Dario olhou para todos e ficou constrangido ao ver a expressão de reprovação de Amarato. Depois de pensar um pouco, disse:

- Senhor Amarato, por favor, peço que não perca seu tempo nesta questão. Nossa missão é importante para o reino, mas seus afazeres na capital também o são. Vamos resolver tudo ainda esta noite e amanhã cedo partiremos em viagem rumo ao nosso destino.

- Tem certeza, senhor Mestre Comandante?

Orënn claramente não apoiava a forma como Dario estava conduzindo a situação. Para o subcomandante, tudo seria muito simples de resolver: bastava enxotar a mulher-peixe do reino, como mandavam as leis daquele lugar.

- Tenho, sim, senhor subcomandante. Sei muito bem a quantidade de pendências que o espera em Targodriath. Inclusive... Se o senhor não se opuser, prefiro que meu pai não saiba nada sobre minha relação com este imbróglio. Diga-lhe que a mulher foi levada para fora do reino, como mandam as nossas leis.

- Muito bem. Voltarei ainda esta noite para a capital e avisarei o rei que tudo está em ordem. Conto com sua firmeza, Mestre Comandante.

- Não receie, amigo. Tudo estará resolvido até amanhã.

Cumprimentando-se, os dois se despediram. Amarato acenou para os outros integrantes do grupo e deixou o bar, voltando para a capital. Dario respirou fundo – agora mais aliviado.

- Muito bem, agora que o gato se foi, o peixe não corre mais perigo. – Adriel e Isa sorriram. Olhando para os oficiais da cidade, Dario questionou: - Muito bem, como um peixe veio parar tão longe do mar?

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