Capítulo 54 - Mentiras e verdades

436 64 10

- Como assim?! Vocês dois estão mortos! — gritou Adriel, raivoso. Nunca poderia esquecer: por culpa daquela mulher, Isa estava morta. — São apenas espíritos amaldiçoados! Assassinos!

- Morto... Estou morto? — perguntou Holmër, confuso. A voz parecia menos rouca e mais vívida. Ainda assim, era apenas um ressoar fantasmagórico e assustador.

- Não, meu amor... Você está vivo... — falou a loira de cabelos longos, indo até a armadura. Parecia preocupada com a reação do noivo. E virando-se para os guerreiros gritou: - Calem-se! Estamos a um passo de sairmos daqui! Só precisamos matar vocês e o ritual estará completo!

- Você fez um ritual para reviver Holmër, seu marido? — questionou Dario.

- Isso mesmo. Mas ainda não somos maridos e mulher... Somos noivos e vamos nos casar assim que sairmos daqui. O mago nos prometeu: o ritual trará Holmër de volta à vida. Assim ele nos disse, pois me lembro perfeitamente de suas palavras:

Quando o sangue lavar o chão de pedra 7 vezes

Nas mortes causadas pelas mãos capazes

A maldição será desfeita e livre estará

Para deixar o templo e à vida retornará

"Só precisamos acabar com vocês e estaremos prontos para completar o feitiço!"

- Você é louca! — gritou Mondegärd. — É impossível trazer pessoas de volta do mundo dos mortos! Os espíritos errantes são anomalias neste mundo! Você foi enganada e tanto você quanto Holmër se transformaram em armas a protegerem este templo! Estão apenas sendo usados pelo mago que lhe prometeu algo impossível de ser realizado! Tudo não passa de fantasia!

- Cale a boca, velho! O que sabe você sobre os mortos?!

- Holmër! Me escute! — Celine virou-se para a armadura e tentou falar com ela. — Holmër é seu nome! Tente se lembrar!

- Holmër... Holmër sou eu...

Quando Aelinne ouviu o marido falar, aproximou-se da armadura.

- Amor, não escute ela. Estamos muito perto...

- Não a escute, Holmër! Você precisa se libertar! — insistia Celine.

Dario e Mondegärd não atrapalhavam a jovem companheira, mas sabiam que falar com um espírito nessas condições era impossível. Ainda mais fazê-lo lembrar de sua vida. Depois de anos nessas condições, o verdadeiro guerreiro de outrora conhecido como Espada de Sangue não existia mais. Além disso, os encantamentos em pessoas mortas eram tidos como magia negra de alta periculosidade.

Celine gritava cada vez mais alto, como se competisse com o espírito da mulher de longos cabelos loiros.

- Por que faz isso com alguém que você ama?! Não está vendo que Holmër está perdido?! — insistia a jovem.

- O que você sabe sobre amor, criança?! — revoltou-se a mulher.

- Eu também amo um homem, como você! Mas nunca faria isso com ele! Holmër foi um grande guerreiro, não que eu o conhecesse, e não merece continuar preso a essa armadura e a essa semi-vida!

- Preso... Eu sou Holmër... — Enquanto falava, a armadura começara a tremer e elevar o tom de voz: — Eu sou Holmër... Eu sou Holmër!

A mulher se desesperava com a atitude do amado.

- Não, amor! Não desista agora! Você precisa ficar comigo! O mago prometeu!

- Eu sou Homër! Solte-me! — gritava o espírito do gladiador uma vez chamado de Espada de Sangue.

- Não! Não vai fugir de mim, seu ingrato! — rugiu a mulher. Adriel olhou pelo espelho e viu a espírito flutuar e seu cabelo apontar para todas as direções, seus fios eram serpentes a se ouriçarem em volta de sua cabeça. — Eu me matei por você! Era o preço que eu deveria pagar pela sua vida! E agora vai me deixar?!

As rancorosas e sofridas palavras fizeram Celine levar as mãos aos lábios. "Então foi isso... Ela se matou para mantê-lo vivo... Mas isso é terrível...", Celine sofria em pensamento ao imaginar a terrível história daqueles dois espíritos. Entender a motivação de ato tão anômalo, fez a jovem sentir-se próxima do casal. Então respirou fundo e com força, falou:

- Seu amor obsessivo apenas acabou com Holmër, Aelinne... Eu te entendo. Você queria estar perto do homem que amava; mas você fez tudo errado. Se você tivesse guardado as memórias felizes para você, talvez hoje ainda tivesse algo de seu antigo amor. — Celine parou por um instante, respirou fundo e elevou o tom da voz. — O que sobrou agora?! Apenas um espírito atormentado! Foi por esse homem que você se apaixonou!?

- Capitão... Parece que está funcionando... — impressionou-se Adriel. Olhando pelo espelho, viu Aelinne voltar ao chão. A face da mulher estava paralisada, como se tivesse sido atingida por um raio de verdade. Depois, o espírito ajoelhou-se e levou as mãos ao rosto.

As palavras de Celine tocaram Aelinne; fora realmente um grande plano, mas disso a garota não sabia, pois apenas tinha falado a verdade de seu coração.


Aelinne seguiu imóvel, mas a armadura ainda permanecia sobre a ponte, inabalável. O que aconteceria com Homër? Não perca o momento final deste desafio no Capítulo 55 — Hora da vingança.

Pessoal, faltam apenas mais 9 capítulos para o fim do livro. Estão prontos para o final desta aventura? =D

Era Perdida: O Globo da MorteLeia esta história GRATUITAMENTE!