Capítulo 23 - O ataque dos espíritos atormentados

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Enquanto aproximavam-se dos dois guerreiros, os seres da floresta começaram a ganhar forma e olhos, nariz e boca se formaram, como se estivessem cada vez mais perto de transformaram-se em homens e mulheres reais. Os mais próximos de Dario e Celine esticaram seus braços, prontos para lhes tocar.

- Parem! Eles não podem machucar vocês! Celine! Dario! – uma voz feminina veio de longe.

O terror era tamanho que mal ouviram as palavras de Isa. A moça tentou novamente:

- Vocês dois! Estão me ouvindo?! Parem de ter medo! Eles não podem ferir vocês!

Dario e Celine sentiram-se aliviados por ouvirem a voz amiga de Isa. Por menos de um segundo, as criaturas da floresta piscaram, como se tivessem desaparecido por um breve instante, quase imperceptível.

- Esta floresta! Esta floresta! – gritou Dario, tentando lembrar-se de algo.

- Vocês estão na Floresta de Khunt! Precisam se acalmar!

As palavras de Isa fizeram Celine recordar-se dessa floresta, quando estudou as localidades de Meerã na academia militar.

- A Floresta de Khunt, dizem alguns, está cheia de espíritos desesperados. Eles se alimentam de nossos sentimentos negativos e se fortalecem...

Dario escutou as palavras da jovem, e também recordou de suas leituras: “A Floresta de Khunt é aquela que, dizem certos aventureiros, os espíritos de homens e mulheres que perderam entes queridos encontram-se e condoem-se pelas perdas”.

Saber onde estava deu nova confiança ao comandante.

- Precisamos nos acalmar... – falou para Celine esticando o braço em sua frente, para protege-la. – Se conseguirmos manter-nos livre do medo, nada poderão nos fazer.

- É você meu filho? – Os dois ouviram uma voz saindo do meio da multidão de espíritos. A voz era feminina e cheia de amargura.

- Meu pai, minha mãe... Meu irmão e minha irmã... Todos mortos... Apenas eu fiquei. E eles me atormentaram por toda a vida, até eu resolver encerrá-la... – um homem soturno falou.

As vozes continuaram surgindo por entre todas aquelas pessoas. Celine levou as mãos até a boca e fechou os olhos. Dario também fechou os olhos e tentou desligar-se da cena.

Quando Dario e Celine conseguiram acalmar o coração, um grito agudo e desesperado percorreu a floresta. Até Isa e os outros ouviram o berro desesperado.

- Tenha calma... – começou a falar o príncipe.

- Eu sei... É só manter a cabeça no lugar... – completou Celine.

Felizmente, os dois eram oficiais muito bem treinados e graduados em uma das melhores academias de formação de exército de Meerã. Pois, poucas pessoas, mesmo entre aventureiros renomados, poderiam recuperar a confiança e a calma em situação semelhante a esta – onde incontáveis espíritos amargurados se aproximam prontos para sugarem sua alma, transformar você em um deles, ou seja lá o que eles fazem.

Aos poucos, o recomendado pelos livros começou a surtir efeito real, pois os espíritos começaram a perder consistência e retornar para as árvores da floresta. Dario e Celine, entretanto, não sabiam. Continuavam pressionando os olhos com força e imaginando qualquer coisa que não fosse árvores escuras e criaturas feitas de fumaça.

Em alguns minutos, a paisagem da floresta havia voltado à normalidade. Quando perceberam que os sons tinham cessado, abriram os olhos e não viram mais nada além de caules e folhas verdes. Celine e Dario olharam-se e sorriram.

O perigo desaparecera feito mágica. Estavam salvos.

Ao longe, viram Isa e os outros correndo em suas direções. Celine levantou o braço e acenou.

- Estamos aqui! – gritou a jovem.

O príncipe, entretanto, não compartilhou da felicidade da amiga. Algo chamou sua atenção do lado oposto de onde vinham os outros integrantes da equipe: de relance, parecia ter visto uma mulher de cabelos compridos escondida ao lado de uma das árvores; quando olhou melhor, porém, não estava mais lá.

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