Capítulo 45 - Último suspiro

445 69 3

Dario tentou abrir os olhos, mas não conseguiu. Estes pareciam pesados e seu corpo não respondia aos seus chamados. Sua boca estava seca e o ar faltava-lhe, parecia sufocar aos poucos.

Sentia alguém próximo ao seu corpo, ouvia o burburinho, mas tudo estava longe, fraco, quase desaparecendo em uma terrível imensidão escura e profunda.

O príncipe não conseguia se lembrar do que ocorrera na sala; sua última memória era de tocar o espelho. Agora, as pedras duras gelavam seu corpo e não podia falar ou mover-se e suas energias esvaiam-se a cada segundo.

Com pesar, ainda teve um último pensamento: “Confio em vocês, amigos... Por favor, façam o que eu não consegui” e assim acalmou a mente e dormiu.

“Acorde, príncipe. Ainda não é a hora”, a voz familiar de uma mulher ressoou na mente do capitão.

Dario abriu os olhos e viu o rosto de Celine.

- Ele acordou! – gritou a jovem.

Os outros aproximaram-se e quiseram saber como ele estava.

- Estou bem... Apenas minha cabeça dói.

- O que aconteceu com você, comandante? – perguntou Isa.

- Não me lembro. Lembro apenas de ter entrado na sala e me aproximar do suporte de pedra. Até ali nada acontecera. Fui até o espelho e o peguei, eu acho... Depois disso... acredito que desmaiei. Então escutei uma voz e acordei apenas agora.

- Senhor Dario, quando tocou no espelho o senhor ficou imóvel – relatou Mondegärd. – Tentamos acompanhá-lo, mas era impossível. Uma parede invisível, como vidro inquebrável, impedia-nos de se aproximar. Então o senhor caiu desmaiado e a parede não estava mais lá. Aproveitamos e lhe trouxemos para cá.

- E o espelho? – quis saber o capitão.

- Ninguém tocou nele – respondeu Celine. – Ficamos assustados...

Todos ficaram em silêncio. Os quatro não entendiam o que acontecera com o comandante. “Será que ele falhou no teste? E que teste é esse onde não acontece nada?”, questionou-se Isa.

- Você está bem mesmo, Dario? Você parece cansado... – Celine olhava com preocupação. A face do príncipe estava pálida e seus olhos vazios, como se a fonte de vida tivesse deixado o corpo dentro da sala e não retornado.

- Não se preocupe, Celine. Vou apenas me sentar aqui e em breve estarei melhor.

Adriel, que estava andando pelo corredor, olhando para a sala onde estava o espelho, aproximou-se das garotas.

- Vou entrar lá.

- Está louco, Adriel? Não está vendo o que aconteceu com o comandante? – revoltou-se Isa.

- Estou vendo. Mas alguém precisa entrar lá.

- Eu sei. Mas tenha calma. Vamos pensar melhor – pediu a moça se aproximando do guerreiro.

- Nem parece você, Isa. Toda preocupada aí.

Isa ficou vermelha. Ela sabia muito bem o que Adriel estava fazendo.

- Quer morrer, então morra. Não estou nem aí.

Dario abriu os olhos cansados e chamou Adriel.

- Não sei o que aconteceu comigo, mas com certeza eu falhei. Tome cuidado, Adriel. Pelo que vocês me falaram e pelo que estava escrito naquele papel, é algo envolvendo nossa mente... – O capitão parou para retomar o fôlego e depois prosseguiu. – Não quero ser indelicado, mas tem certeza que é o mais indicado para esta tarefa?

Os outros pensaram o mesmo. Desde que Adriel revelara seu passado conturbado, os oficiais viam o guerreiro de cabelos compridos como o mais problemático entre eles.

- O capitão está certo – discorreu Mondegärd. – Se o que se é colocado em prova naquela sala são as experiências de nossa vida, então com certeza não tenho chances. Posso dizer isso e não tenho vergonha. Entretanto, assim como eu, estou certo de que você não é o mais indicado. Talvez Celine?

- Eu? – A jovem respondeu encarando os olhares dos amigos.

- Não! – gritou Adriel. – Eu disse que quero ir. Pouco me importa a opinião de vocês sobre meu passado. Eu quero enfrentá-lo e farei isso...

- Tenha calma! – interrompeu Isa. – É justamente por causa desse seu jeito que eles não concordam.

- Acho que é melhor o senhor decidir, capitão – sugeriu Mondegärd.

Todos voltaram-se para o príncipe, que parecia fatigado ao extremo sentado ao chão. Dario pensou por uns instantes.

- Sei que fui eu quem iniciou toda essa discussão sobre o passado do Adriel, mas tenho confiança nele – falou sorrindo. Todos agravaram a expressão, menos Adriel que comemorou a resposta. Depois de um tempo calado, o capitão retomou: – Tome cuidado, eu estou fraco e debilitado, mas com você pode acontecer algo ainda pior. Não posso perder você, como perdemos Gerolt.

- Tudo bem, capitão. Pode deixar comigo.

Enquanto Adriel caminhava para entrar na sala, Isa levou a mão ao coração e sentiu um aperto no peito. Alguma coisa lhe dizia que essa era a última vez que veria o namorado na vida. “Adriel, seu beijo...”, pensou a mulher, mas não teve coragem de falar nada. Adriel olhou para ela e sorriu. Depois, entrou na sala e andou até o suporte de pedra. Esticou a mão e ficou paralisado ao tocar no objeto, assim como Dario.

Não deixe de garantir sua edição impressa até o dia 24 de maio em www.eraperdida.com.br!

Era Perdida: O Globo da MorteLeia esta história GRATUITAMENTE!