30. Manicômio claustrofóbico

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Valeria a pena desgastar sua sanidade mental para cumprir as metas familiares?

As cenas na mente de Elliot se tornaram mais consistentes. As imagens, que antes giravam à sua volta, desaceleraram. Não se sentia mais sufocado por elas; na verdade, agora que era capaz de analisá-las com cuidado, sua curiosidade fora atiçada por uma brisa noturna nostálgica.

Estava em uma floresta de novo. Era noite e fazia frio. Vez ou outra o vento causava a agitação em galhos e folhas das árvores, forçando-os a farfalhar. A escuridão envolvia tudo ao redor, porém a luz da lua, que conseguia penetrar na floresta, permitia o discernimento de formas.

Ele estava caído no chão, de costas, tentando se afastar de alguém que caminhava em sua direção. Aquele alguém, camuflado no escuro, só podia ser percebido por conta de seus olhos vermelhos que se aproximavam.

— Não quero voltar! — Elliot gritou desesperado, rosnados saíram de sua garganta, compreensíveis como palavras.

O outro parou por um momento e sibilou uma resposta:

— Precisa terminar a iniciação. — E o sibilo, antes irreconhecível, ganhara um significado.

Elliot não percebeu a estranheza de conversar por grunhidos, pois eles faziam sentido. Não percebeu que estava conversando em uma língua estrangeira, porque não era estrangeira para ele; soava correta e natural.

— Não quero! — ele choramingou. — Tenho medo do escuro.

Aquele que estava à sua frente avançou devagar. Os olhos vermelhos, atentos como um animal caçando, suavizaram ao relaxar as pálpebras. Ele passou por uma faixa de luz lunar, que revelou amor e compaixão em uma face feminina e delicada.

— Por isso deve completar a iniciação, pequeno irmão. — Ela se ajoelhou à frente dele e mirou a lua com um semblante sério; assim como os lobos, conhecia a importância daquele mestre do céu.

A linguagem corporal dela exigia que Elliot fizesse o mesmo, então ele virou a cabeça o suficiente para ver por cima do ombro. A lua brilhava límpida, contornada por estrelas e nuvens afugentadas.

— Quando a lua ficar vermelha, não mais terá medo do escuro. — A voz dela emitiu sons calmantes, parecidos com um ronronar. — Nunca mais sentirá medo algum; ele se esconderá de você.

A cena paralisou naquele instante. A mente de Elliot ficou presa naquele lugar. O harmínion nem suspeitava que estava desacordado em um laboratório fora da mansão do Dr. Crow.

Temperos artificiais eram algo que Daniel jamais utilizaria na cozinha

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Temperos artificiais eram algo que Daniel jamais utilizaria na cozinha. Eram itens que nunca seriam encontrados em estabelecimentos grandes e famosos, contudo ele optara por aquele lugar devido à localização próxima à casa de Anabela. Não via problema em comer uma refeição feita com aqueles temperos falsos, mas preparar uma era inaceitável. Era por isso que, após sugerir a ideia ao seu novo patrão, estava picando os ingredientes naturais e frescos no balcão da cozinha do restaurante. O aroma deles era agradável e nostálgico; traziam-lhe a lembrança de quando tentava ver o que seu irmão mais velho estava cortando na pia, e como sua altura de criança não ajudava, restava-lhe apenas poder sentir o cheiro refrescante das plantas.

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