33. Pontas afiadas

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Tudo tem uma razão. Toda cultura tem sua explicação. Os humanos não sabiam de nada. Restava a ele lidar com as consequências da ignorância.

Precisava consertar. Precisava acreditar que ainda não era tarde demais. Costumava ouvir histórias daqueles que passaram dos limites... não queria ser como eles. Se voltasse para casa, talvez pudesse se salvar.

Humanos não sabem o que fazem... é mentira. Eles têm consciência de quando estão errados, mas acham um jeito de justificar. Intrometem-se onde não deviam por curiosidade, passando por cima de tudo para saciá-la. Ali estava ele, agora, tentando corrigir os problemas que os humanos lhe impuseram.

Tinha que voltar para casa o quanto antes. Era a única saída. À noite, poderia correr sem medo e percorrer um bom caminho, porém de dia... perderia muito tempo escondendo-se; infelizmente não havia outra forma — a luz do sol permitiria que o avistassem com facilidade.

E comida? Seria uma longa viagem e precisaria de comida. Então era isso o que faria: à noite, correr; de dia, buscar comida — só não sabia onde.

Ainda estava no início das aulas de caça quando foi levado pelo doutor Crow. Se tinha dificuldades em caçar, fazer isso fora de uma floresta parecia impossível.

Após fugir do laboratório, seguiu em frente o mais rápido que pôde. Evitando casas, o que encontrou foram apenas estradas, gramados e florestas pequenas — os humanos tinham uma palavra para isso... não conseguiu se recordar qual era. Lugares abertos e pequenos demais para a caça. Também não poderia sobreviver de frutas e sementes. Nunca iniciou seu treinamento de reconhecimento de árvores... nem sabia se aquelas que encontrara produziam alguma comida ou estavam na época de produção.

Talvez fosse necessário invadir casas para solucionar essa necessidade. Era tão fácil abrir a geladeira do doutor Crow, onde tinha tantas opções de escolha!

Doutor Crow.

Viriam atrás dele! Low colocou um localizador nele! Se viessem, se o capturassem... mesmo que quisessem ajudar, não ajudariam. Não saberiam o que fazer. Precisava resolver isso antes de tudo.

Sentado na base de uma árvore não muito distante de uma estrada, Elliot se pôs a arranhar a nuca em aflição. Aquele localizador tinha que sair.

Sentiu dor. Sentiu o sangue quente escorrendo pelas costas enquanto ouvia o som bizarro de unhas raspando a pele. Achando que fizera o suficiente, passou a mão com cautela pelo ferimento aberto, procurando por algo que não pertencesse ao corpo. Encontrou uma plaquinha de metal, pegou-a com cuidado e a trouxe à frente dos olhos.

Ficou pasmo com o que viu. O chip estava perfurado, ok... mas a mão esquerda... Os dedos se alongaram, terminando em pontas afiadas. Tremendo, cutucou-os com a outra mão. A pele estava dura, parecia de metal. Ao chocar os dedos entre eles, comprovou: o som emitido foi de metal tilintando.

Ah, não. Tinha começado. O que a estimada irmã diria ao vê-lo assim? O tempo se tornou seu inimigo.

 O que a estimada irmã diria ao vê-lo assim? O tempo se tornou seu inimigo

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