28. Sombra de insanidade

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Talvez Dr. Crow estivesse certo. Ela via a paranoia agora, uma sombra insana naqueles olhos cinzentos e inexpressivos que a convidavam a entrar... e ela estava ciente de que aceitar o convite poderia ser a pior decisão de sua vida.

Sentada na beira da cama com as mãos sobre os joelhos, Sara observava os próprios pés. Sabia que teria de ser paciente até receber alguma notícia sobre Elliot; que bom que paciência era uma qualidade que ela possuía.

Levantou o olhar quando Daniel apareceu na porta do quarto, com o cabelo ainda molhado do banho e carregando uma mochila nas costas.

— Pronta? — ele indagou.

Como resposta, ela saltou da cama e o seguiu pelo corredor.

O apartamento era pequeno e, segundo Daniel, temporário. Ela ainda estava para descobrir por que ele escolheu aquela cidade — tão longe de onde a família vivia e tão perto de onde aconteceu a convenção —, onde Elliot foi sabotado para perder o controle.

Desceram pelo elevador em silêncio e, ainda sem dizerem uma palavra, saíram do prédio.

Enquanto caminhavam pela calçada, Daniel examinava a garota ao seu lado e formulava as perguntas que queria fazer de forma sutil para não chateá-la, pois ela parecia um tanto deprimida. No dia anterior, Sara alegou estar muito cansada e evitou os questionamentos dele. Dr. Crow também não deu muitos detalhes, informando apenas de que precisava que alguém ficasse com ela por alguns dias. Não gostava da ideia de se intrometer em assuntos alheios, entretanto Sara o deixara preocupado. Talvez ela ainda estivesse sentida pelo desaparecimento de Elliot, no entanto parecia mais realista pensar que seu estado de ânimo estava relacionado à sua vinda repentina.

— Tem falado com a Teris? — Sara inquiriu com a voz baixa e olhando o chão à sua frente.

Surpreso pela iniciativa dela de conversar, o químico deixou de lado qualquer planejamento e decidiu seguir o curso natural da conversa; acreditava ser a maneira mais discreta de descobrir o que acontecera.

— Não. — Desconcertado pelo assunto, ele apertou os lábios antes de continuar, virando a cabeça parcialmente para o lado. — Ela terminou comigo.

— É por isso que ela não tá... hum... — Agora Sara entendia por que não encontrou Teris ali também. — O que você fez?

— Nada! — Encarou-a, abismado, e elevou o tom da voz. — Por que acha que fui eu que...? — Parou no meio da pergunta ao perceber sua falta de controle e reduziu o volume, suavizando a expressão. — Ela ficou muito abalada depois de tudo o que aconteceu; acho que queria ficar longe de tudo que fosse relacionado à pesquisa, incluindo eu.

Sara deu mais alguns passos, cabisbaixa.

— Sinto muito.

— E quanto aos outros? — Daniel perguntou, tentando não deixar a conversa morrer, porém ansioso para trocar de assunto.

— Estão bem. — Ela já imaginava os tipos de pergunta que estavam a caminho. Era óbvio que Daniel estaria preocupado com as circunstâncias que a trouxeram lá.

— Isso inclui a Mori e o Low? — Como a garota estava morando com o Dr. Crow, então ele esperava uma resposta apenas sobre o doutor e, talvez, um questionamento de volta sobre os outros.

Sara abriu a boca para responder, parecendo um tanto confusa e, no final, falou com pressa, como se de repente tivesse entendido a pergunta:

— Inclui. Sim. Estamos morando juntos porque... é uma nova pesquisa! — Em sua preocupação com Elliot, quase se esqueceu do que devia dizer a Daniel.

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