4. Sangue carmesim

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Ele correu pelas portas escancaradas para evitar uma calamidade, no entanto parou no último quarto tal como o animal que pressente perigo; não apenas pressentia, via o sangue carmesim colorindo o chão.

O sol terminava de se pôr, deixando o quarto cinzento. Daniel, abismado pela cena aterrorizante, procurou pelo interruptor.

Era uma casa qualquer de um estranho, o lugar que o localizador indicou momentos atrás.

A maior poça de sangue estava aos pés da cama de casal, perto de uma mesa de decoração caída e com cacos de porcelana em volta. Havia almofadas no chão em cada lado da cama e o lençol fora retirado às pressas, a coberta revirada pendia da cama.

Antes de reparar em outros detalhes, Daniel ouviu um choro soluçante vindo de uma porta branca próxima ao guarda-roupa. Não era apenas choro, ele distinguiu um ganido de dor. Alguém precisava de ajuda. No mesmo instante, a seriedade expulsou a perplexidade de sua expressão.

A visão do que tinha atrás daquela porta ficaria gravada na mente de Daniel e, vez ou outra, invadiria seus pesadelos.

Quando Teris, Mori, Sara e Low chegaram ao lugar do ataque, encontraram três carros policiais e uma ambulância em frente a uma casa

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Quando Teris, Mori, Sara e Low chegaram ao lugar do ataque, encontraram três carros policiais e uma ambulância em frente a uma casa. Daniel correu até a equipe, a roupa exibindo manchas de tom vermelho-macabro.

— Você está bem? — Low perguntou, assustado ao ver as vestes do químico.

Como Teris deveria reagir perante uma situação dessas? Ela somente observou, com o olhar amedrontado, Daniel e Low se confrontarem, enquanto os policiais corriam pelo jardim e interior da casa e dois deles estendiam uma faixa em volta do local.

Daniel estava muito mais tenso em cada centímetro de seu corpo do que Teris. Hoje, ele teria uma noite de insônia garantida. Ofegou antes de responder, apontando para a ambulância:

— Eu estou, mas ela não. — A irritação ficou evidente na voz dele. — Low, você sabe o que ele...

— Onde ele está?

A pergunta direta de Low sobre o paradeiro do harmínion não foi bem aceita por Daniel, que viu apenas frieza naquelas palavras e uma total desconsideração para com a pessoa que era levada pela ambulância.

— Eu não sei! — Brandiu as mãos rígidas e abertas com as palmas voltadas para cima. — Mas o que ele fez àquela mulher! Enlouquecendo assim...

— Precisamos encontrá-lo. — Low rosnou enquanto verificava no localizador o novo paradeiro do harmínion, ignorando o restante da frase do outro.

— Dá pra você me ouvir?! — Daniel explodiu, erguendo a voz ao máximo e chamando a atenção de curiosos, e conseguindo atrair, também, a atenção definitiva de Low. — Ele surtou e depois... Tem ideia do que ele fez?! O estado em que eu a encontrei? Low, ele é perigoso...

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