VINTE E CINCO: NICHOLAS

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O carro estava em nossas mãos outra vez, só para nós dois. Derek alternava na velocidade enquanto dirigia, as vezes na máxima e as vezes na mínima. No banco de trás estava tudo o que ele havia trazido, desde a barraca que cabia quatro pessoas à muitas comidas e bebidas com álcool, era um ótimo plano para se passar três dias no meio do nada. A estação da rádio anunciava mais uma vez a pré-chegada do outono e meu coração disparava só de imaginar ter que ir para o baile ao lado do Derek, nos candidatando a.. rei e rei. Não tinha certeza que ganharíamos a eleição, mas seria fácil. Conhecidos por todo o colégio, jogando no time principal, boas influências e gays, não de verdade, mas gays.

— Como você está? — pergunto após um bom tempo de silêncio que só não é constrangedor graças à rádio que agora toca Summertime Sadness da Lana dele Rey.

— Eu? eu estou bem e você? com tudo isso que aconteceu.. — Derek desvia o olhar para mim rapidamente, voltando a prestar atenção na estrada.

— Acho que estou bem, mas o que eu realmente quero saber é sobre você e a Yuna. — admiti, encostando minha cabeça no vidro do carro, o ar-condicionado não estava ligado, mas fazia frio.

— A gente tem se falado, ela disse que ligou para clínica e o exame será entregue na segunda, agradeceu por você pagar a consulta. — ele sorri embora eu saiba que isso está o corroendo por dentro.

— Isso é bom, não bom do tipo.. bom, mas é bom. — me perco nas palavras, tentando me explicar enquanto ele ri, concordando com a cabeça enquanto faz uma curva. — Você está tirando minha concentração, Sr. Nicholas Danvers.

— Juro que não vou falar mais. — prometo, erguendo meu dedo mindinho.

**

Admirar a paisagem em silêncio é algo que eu aprendi sem muito esforço, aos poucos vamos deixando a cidade e dando lugar à enorme floresta, com árvores de ambos os lados. O medo não é necessário, o lugar onde estamos indo é um ótimo ponto para se acampar, conhecido por toda a cidade. É extensa, tendo vários pontos, alguns longes. Derek deixa a estrada após duas curvas, entrando em um caminho de pedras que nos faz chacoalhar dentro do carro.

— Merda! — falo mais alto que o necessário, embora ele continue seguindo em frente. Quando finalmente atravessamos o caminho de pedras, somos tomado pela estrada de barro. Temos sorte pelo sol ainda estar no céu, embora que esteja se pondo, ele ilumina um pouco da estrada.

— Vamos ter que deixar o carro no Estacionamento de Camping e entrar à pé na floresta, você sabe disso não é? — ele pergunta.

— É óbvio que eu sei, a gente sempre acampou por aqui quando éramos menor. — reviro os olhos, esperando-o estacionar.

— Certo! — ele diz, virando a chave do carro para desliga-lo. — Essa é a nossa vaga, vamos precisar levar tudo o que está aqui para a floresta, caso a gente não consiga encontrar o caminho de volta, é só buscar a localização do carro no gps ou subir em um ponto alto e procurar a bandeira do estacionamento. — ele faz uma pausa para respirar. — Vamos?

— Vamos! — concordo, destravando o cinto de segurança, abrindo a porta e então pulando do carro. Carrego minha mochila em minhas costas, agradecendo a Deus por ser possível ver onde estou pisando. Bato a porta para travar, tendo a chegada do Derek ao meu lado, me entregando um dos três sacos gigantes. 

— Quer ajuda aí, senhor fortão? — zombo da cara dele que carrega uma mochila nas costas, a barraca dentro de uma caixa em baixo do braço e os dois sacos enormes nas mãos.

— Está tudo sobre controle, vamos.

Atendendo a sua ordem, eu começo a caminhar para dentro da floresta, Derek está à minha frente, havíamos combinado que era dele a responsabilidade de encontrar um bom lugar para acampar e esse bom lugar para ele, era próximo ao lago.

Conto meus passos para passar o tempo, são muitos, intermináveis, quando olho para trás já não consigo ver o acampamento, tudo se fechou em uma mata com árvores para todos os lados, sons de animais, gravetos se quebrando à cada passo que dou e alguns fios de sol se distanciando, deixando de nos iluminar.

— De acordo com o gps, o lago fica há uns dez minutos daqui, então esse é um ótimo lugar para começarmos a montar as coisas. — Derek para e olha para cima, embora grandes árvores atrapalhe a melhor parte da visão, é possível ver o céu.

— Ótimo e o que fazemos agora? — pergunto, jogando o saco no chão.

— Agora a gente monta as coisas e se diverte.


Depois do Ritual (Romance Gay)Leia esta história GRATUITAMENTE!