ONZE: NICHOLAS

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Minhas mãos apertam as costas do Tony que me prensa contra a parede enquanto nossas línguas brincam fazendo uma troca de sabor e calor. Em minha calça algo começa a ganhar vida e acredito que o mesmo esteja acontecendo com a dele já que sua jeans apresenta um volume marcado que é pressionado contra o meu enquanto nos beijamos em uma intensidade nunca sentida por mim. Talvez seja apenas o efeito da maconha, nunca beijei um homem. Quer dizer, já beijei o Derek, mas isso não deveria contar como algo. 

Os dedos do Tony forçam o botão da minha bermuda, querendo algo à mais. Pela primeira vez desde que entramos nesse quarto, eu o afasto com um empurrão.

— Cara! O que você pensa que está fazendo? — questiono, tentando passar uma imagem seria, de desgosto. 

— Ah, Nicholas. Vai dizer que você não gosta? Todo mundo já sabe que você tem uma quedinha pelo Derek desde a sétima série, isso é inegável. — Tony caçoa, rindo de forma maldosa. 

Pior que era verdade. Embora eu prometesse para mim mesmo que o Derek era somente um amigo e que meus sentimentos por ele só estavam conturbados por causa do ritual, eu o amava.

— O quê? Eu acho que você abusou demais do álcool e na maconha. — tento responder em tom sério, talvez cortante, querendo dar um fim naquele assunto. 

— Qual é, Nicholas! O que a gente tem a perder? Estamos aqui em um quarto com a porta trancada e um som extremamente alto está rolando lá fora, ninguém vai te ouvir gemer. — Tony força à barra, se aproximando novamente. Seu corpo bronzeado está um pouco suado, marcado por diversos arranhões, acredito que a festa esteja sendo bastante produtiva para ele. Seus cabelos cacheados estão bagunçados e seus olhos escuros em um tom avermelhado.

— Tony, primeiro que eu nem sei porque vim parar nessa merda de quarto com você, segundo que o Derek está me esperando lá em baixo e por último, você é a última pessoa em toda essa festa que eu escolheria para beijar. — retruco enquanto caminho em direção da cama, puxando minha camiseta para vesti-la. — E é bom você lembrar que nós somos amigos, ou éramos, não sei. — continuo, passando a camiseta por meu corpo. 

— Nicholas.. — Tony se aproxima — Você sabia que eu sempre tive uma quedinha por você? Não sei o motivo, talvez por conta desses olhos azuis ou esse corpo magro. — ele força, me empurrando contra a cama e então vindo por cima. 

— Lamento por isso, Tony. Agora eu vou sair desse quarto e você vai esquecer o que aconteceu entre nós dois, certo? — meu olhar fixa-se no de Tony, rostos próximos demais, lábios próximos demais. Nossa respiração se encontra e então ele investe. Dessa vez eu não aceito, lanço soco em seu rosto.

Tony despenca por cima de mim e eu o empurro para o lado. Esse é o problema em misturar diversas bebidas e fumar alguns enrolados de maconha, você se torna vulnerável, frágil.

Quando finalmente fico de pé, dou uma leve ajeitada em meus cabelos e camisa, o cheiro do álcool está grudado em mim, assim como o da maconha. Meus pensamentos se alternam entre o Tony e o Derek, em o que fazer na manhã seguinte.

Com uma última olhada para a cama onde Tony está esticado em um sono profundo, eu destravo a porta do quarto e caminho novamente entre a multidão. Meus olhos vacilam por um pequeno período de tempo, é a dor de cabeça me consumindo. Me apoio contra o corrimão da escada, frio, de metal brilhante. Meu estômago embola e então eu vacilo, vomitando.
Não perco tempo parado, sei que não posso. Enquanto a maioria das pessoas riem e tiram fotos, uma mão segura meu ombro quando termino de descer as escadas, espero por Derek, mas é a Alison. 

— Nicholas? O que está acontecendo, você está bem? — ela pergunta, passando uma de suas mãos por minha cintura para me dar apoio.
Seus cabelos ruivos estão presos em um rabo de cavalo e ela veste um shorts jeans curto junto à uma blusa branca decotada que dá mais volume aos seus seios. 

— Eu.. — me forço à dizer, me embolando entre as palavras que ficam presas em minha boca quando tentam sair. — Eu bebi um pouco e o Adam me forçou a fumar um enrolado de maconha. — explico à ela que leva uma das mãos à meus cabelos bagunçados, passando-o para o lado. 

— Você comeu alguma coisa? — Alison parece preocupada, agora afastando o braço da minha cintura para me encarar. 

— Um pedaço de torta de chocolate. — respondo após uma busca mental. 

— Nicholas, tudo aqui, desde os doces até os salgados, tem maconha. — Alison diz, forçando um sorriso. — Vem comigo, vou fazer uma limonada para você. 

Meu olhar pesa ainda mais. 

"Nicholas, tudo aqui tem maconha" 

— Eu não posso, tenho que encontrar o Derek. — insisto, sendo calado pela Alison que dá o maior tapão em minha testa. 

— Você tem que se recompor. Não vou deixar você destruir minha reputação por causa de uma bebida e um pouco de maconha, agora vamos. — ela retruca, já me arrastando até a cozinha. Não faço nada, só obedeço.

Depois do Ritual (Romance Gay)Leia esta história GRATUITAMENTE!