Episódio Doze: Lucky Magazine

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[NOTAS] Primeiro eu queria agradecer a quem ta lendo e pacientemente esperando os capítulos, foi a pausa mais longa da historia até agora, mas eu precisava mesmo cuidar de mim. Espero que as coisas possam normalizar o mais breve possível, mas enquanto isso não acontece, eu só agradeço.

Ah! A matéria da Lucky foi feita de verdade haha, vocês podem ver no twitter (taemeetevil/revistalucky (sim, tem um pra revista kkkk eu só fiz porque é um capitulo especial)) ou no instagram (ellameetevil)

Espero que gostem do capitulo <3

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JEONGGUK


Voltar para casa foi constrangedor.

Na verdade, nem tanto assim. Foi como naquele primeiro dia, que evitávamos olhar um para a cara do outro, mas dessa vez, não era o incômodo da situação, sim porque as lembranças da noite anterior estavam bem claras na nossa mente. Eu me sentia com 13 anos quando tive a primeira paixonite num cara da escola - que era super babaca e homofóbico, mas mesmo assim eu continuava apaixonado porque na época o discurso de "ele briga contigo e te humilha porque no fundo gosta de você!", ainda era bem comum, até para homens gays - e ficava buscando um olhar de relance ou um mínimo sorriso. Taehyung tinha a vantagem de realmente sorrir e olhar de relance, fazendo meu coração acelerar todas as vezes.

Eu era idiota.

Como podia dizer a mim mesmo que era mais seguro não me envolver demais e no segundo seguinte ficar buscando qualquer mínima interação? Idiota, simplesmente idiota.

— Precisa que eu o leve para algum lugar, senhor? — o motorista da empresa perguntou, o que quase foi um alívio, já estávamos quietos a tempo demais.

— Tenho uma reunião com CEO Park, ele deve me esperar na empresa — expliquei e dessa vez Taehyung me olhou por mais tempo, o encarei de volta — Vou explicar ao CEO o que houve com você, ver sobre as entrevistas... Podemos nos encontrar pro almoço — Taehyung só assentiu, provavelmente ele não estava muito confiante com minhas promessas de almoço depois do que houve, mas eu pretendia mesmo que desse certo dessa vez. O carro parou diante da casa — Dez minutos — pedi ao motorista.

Taehyung saiu do carro, seguindo para a porta, seu silêncio estava começando a me preocupar. Ele estava quieto desde que acordou, e pensei que o problema foi justamente o que houve na noite passada. Talvez ele estivesse em crise, algo que nunca passei, porque minha família vinha de uma estrutura que não era comum.

Quando tinha treze, falei do rapaz que estava gostando para o vovô, temendo algum tipo de julgamento já que todo mundo a minha volta tratava isso como se fosse errado e foi quando ele me falou mais sobre o tio Peter, o irmão mais novo dele. Tio Peter tinha morrido no começo dos anos 90, antes que eu tivesse nascido, mas o papai dizia que ele era maravilhoso. O vovô me mostrou fotos dele em São Francisco, usando maquiagens extravagantes e perucas. Vovô disse que foi com ele que aprendeu a respeitar diferenças, então estava tudo bem eu não gostar de garotas, porque isso me fazia especial, igual ao tio Peter.

Ele nunca disse como o irmão morreu, mas ele tinha 43 anos na data de falecimento. Eu sempre imaginei que fosse pela AIDS porque nas fotos que meu pai tirou dele, no final de 91, ele parecia muito magro e fraco, mas eu só teria certeza quando o vovô, um dia, quisesse falar sobre isso. Lembrar sobre o assunto me fez pensar que eu gostaria de ter conhecido o tio Peter e me fez pensar também que Taehyung provavelmente nunca teve ninguém como o vovô na vida dele. Talvez JiSoo, mas ele com certeza nunca questionou a própria sexualidade até eu aparecer.

Era difícil dizer se isso era bom ou não, no fim das contas. Apesar de que podia pensar que se descobrir sempre é uma coisa boa, talvez ele nunca tivesse interesse em se questionar.

Lucky: e o Coelho da SorteOnde histórias criam vida. Descubra agora