Episódio Dez: Problemas no Paraíso pt. 2

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[NOTAS] Então, eu só vou pedir pra vocês ficarem atentxs com a parte inicial porque a ordem da cena ta invertida. A cena do Jeon cronologicamente acontece antes, mas a do Tae aparece primeiro. Acho que dá pra perceber enquanto lê, mas não custa avisar.

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TAEHYUNG

O horário oficial para os trainees da empresa era 7 da manhã. Por mais ou menos sete anos eu acordava todos os dias, mesmo sábado ou domingo, as sete. E todas as vezes, era o maior sacrifício da minha vida, não importava quão cedo eu fosse dormir. Mas naquela primeira manhã, sem Jeongguk, eu acordei cedo, sem qualquer problema. Sai para o jardim, com Jiji e o pequeno - já que ainda não tínhamos decidido um nome - tentando pular nas minhas pernas, e esperei do lado de fora secretário Chan chegar e trazer meu café da manhã - porque JiSoo noona tinha medo que eu colocasse fogo na cozinha e eu mim mesmo por tabela - e lá pelas oito, Jeongguk viria para me desejar sorte.

Me sentei na grama, junto a parede, enquanto Jiji e o filhote brincavam adiante. Jiji era bem maior que ele, sempre foi uma gata grande, com olhos enormes, se ficasse parada tempo o bastante poderia acreditar ser de brinquedo, ela pulava e dava voltas em torno do filhote, que tentava persegui-la, mas caia de cara no chão. Toda vez que ele caia, ela parava, esperava que ele levantasse, esfregava a cabeça na dele como um consolo e depois voltavam a brincar como se nada tivesse acontecido.

— Ei, Jiji! — chamei, ela parou e o filhote também.

Meow?

— Ele não é seu filhote — ela bufou pra mim, lambendo os pêlos do seu novo bebê, me ignorando — Você está grande pra ter seus próprios filhotes, é por isso? Você quer ter filhotes? Posso te arrumar um parceiro.

Meoow! — bufou de novo, irritada.

— Uma parceira, então? — bufou mais uma vez, me olhando com desprezo — Ah... eu sei como é. Namoros são complicados, é uma boa ideia não querer um. Ainda mais com filhos. Eu já estou num complicado e só tenho vocês...

Meow?

— É, eu sei. Jeongguk e eu ainda podemos ser amigos... se ele quiser. — falei a última parte em voz baixa. Olhei o relógio — Já está passou das nove, o secretário Chan nunc- — ouvi o som da trava na porta se abrir, e vi a ponta de um casaco muito amarelo enquanto a porta era aberta. Jeongguk empurrou-a com o ombro, carregando duas sacolas de papel nas mãos. Ele fechou a porta com o pé, enquanto Jiji e o filhote correram pra ele, tentando escalar suas pernas e conseguir algo das sacolas.

— Oi — ele disse em voz baixa.

— Oi... é, o que f-

— Secretário Chan foi levar meu pai de volta pra casa. Ele fez uma visita surpresa hoje mais cedo. Então eu vim — ele tentou sorrir largo, dava pra ver o esforço, mas o que conseguiu foi um meio sorriso sem jeito — Seu café — caminhou para mais perto, colocando os pacotes ao meu lado e sentou-se no chão, puxando as duas praguinhas para o seu colo, antes que tentassem pegar minha comida — Eu não perguntei o que o secretário Chan costuma trazer, então eu só peguei café e brownies.

— Tá ótimo. — sorri — Você quer-

— Não, já comi.

Ficamos olhando pra cara um do outro, meio sem saber o que fazer.

Suspirei, criando coragem para falar.

— As coisas eram mais fáceis no hotel. Com elevadores estranhos e quedas no banheiro. Parecia tudo mais simples quando a situação era pior — disse, ele demorou um momento, mas assentiu.

Lucky: e o Coelho da SorteOnde histórias criam vida. Descubra agora