Episódio Sete: Namorado

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TAEHYUNG

Em vinte e dois anos - 23 recém completados e vinte e quatro pelo ano novo coreano - eu nunca considerei a possibilidade de gostar de um homem. Bom, eu já achei homens atraentes, e já considerei a ideia de que sentia algum tipo de desejo por eles. Mas nunca tomei nenhuma iniciativa real para isso, e todos os meus poucos relacionamentos foram com mulheres. Eu pensei em beijar Jeongguk quando estávamos no banheiro, parecia errado - especialmente por ele estar mais bêbado do que eu - mas a ideia de desejar um homem, naquele momento, não pareceu ruim.

Jeongguk e seus amigos estavam no corredor, conversando. E eles iam levá-lo embora. O que eu faria? Olhei pela janela, os fogos de artifício ainda queimavam no céu, provavelmente continuariam por mais cinco ou dez minutos, minha mente, entretanto, só pensava em quão mais rápido eu iria morrer sem Jeongguk perto de mim. O que aconteceria comigo em seguida? Os únicos momentos que estive em risco foram os que não estava ao lado dele, e agora, Jeon iria me deixar.

— Taehyung? — ele tinha voltado, caminhou para perto da cama, enfiando as mãos nos bolsos, parecendo constrangido do que diria a seguir — Eu tenho de ir. Eu não... não sabia que eles voltariam, mas cancelaram o show na América então voltaram direto para Busan.

— Oh... — não tinha nada melhor para dizer. Eu já sabia que ele teria de ir de todo jeito.

— O Jin-hyung está vindo. Você vai ficar bem. — acenei que sim, tentando dar um sorriso despreocupado - que com certeza não iria convencê-lo, mas tinha chance de funcionar - queria muito dizer alguma coisa, qualquer coisa, mas nada decente me ocorreu — É... — ele parou de falar, para em seguida olhar os próprios pulsos e começou a fuçar os bolsos da calça, como se tivesse perdido alguma coisa.

— O que foi? — eu não tinha reparado, até aquele momento, que Jeongguk usava um cordão. Era um corrente fina e prateada, que puxou por cima da cabeça. O pingente, preso pelos dois lados, era um círculo de bronze, a peça era delicada - mesmo com o material metálico - e parecia que podia quebrar a qualquer toque. Ele se aproximou, pegou minha mão e colocou a corrente sobre a palma.

— Guarde com você, não mostre pra ninguém, nem mesmo para o Jin-hyung. Só você pode me devolvê-lo. — fez com que meus dedos se fechassem em volta do colar — É algo muito importante pra mim e seria muito azar eu não te ver de novo... digo, ter o colar de volta e... você entendeu — riu baixo, apertando os lábios em seguida — Isso vai te manter bem, pelo menos por um tempo.

— Obrigado. — disse, segurando o colar com um pouco mais de força. Não era tão frágil quanto aparentava. Jeongguk se afastou em direção a saída, abrindo a porta mais uma vez, mas parou, virando-se pra mim novamente.

— Eu posso... V-Você quer que eu fique?

Era o momento perfeito para pedir para ele ficar, ao menos aquela noite. Talvez pudéssemos pensar em uma solução sobre minha situação juntos, mas eu olhei para fora, para o garoto parado de braços cruzados olhando pra mim como se eu fosse uma ameaça. Min Yoongi. Se secretário Chan sequer comentou sobre tudo o que houve nos últimos dias com ele, é provável que não iria me querer perto de Jeongguk, ninguém sabia sobre a maldição, mas estava bem claro que havia algo bem errado comigo.

— Não. Vai dar tudo certo. — dei um sorriso mínimo e acenei com a mão fechada — Ainda vou te ver de novo — ele concordou com um aceno.

— Fique á salvo, ok? — pediu, e apenas assenti.

"Qual é, Taehyung! Não deixa ele ir embora, faz alguma coisa!" pensei, vendo-o sair para o corredor.

Mas eu não fiz nada. E ele foi.

Lucky: e o Coelho da SorteOnde histórias criam vida. Descubra agora