Episódio Quatro: Sem sorte

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TAEHYUNG

DIAS ATUAIS

30 de dezembro

O trem fez o caminho de volta para a estação vagarosamente, a notícia que o "Coelho da sorte" estava na locomotiva se espalhou como rastro de pólvora, e pessoas se amontoavam no vagão para agradecê-lo, mesmo que ele insistisse não ser responsável pela sorte de termos nos salvado de um possível acidente. Até Jin-hyung, que achei que viria saber se eu estava bem, passou batido por mim, querendo ver Jeon Jeongguk mais de perto. Eu não merecia isso, sinceramente... Não no meu aniversário! Eu devia ter pegado um carro, teria sido muito melhor.

Quando enfim chegamos a estação, haviam tantos guardas e policiais que apenas me perguntava como eles haviam chegado ali no meio de uma - agora - tempestade de neve. Mas quem sou eu pra perguntar alguma coisa quando mesmo mostrando a meu belo rosto ninguém estava dando a mínima pra mim? Todos pareciam prestes a jogar pétalas de rosas para o "Coelho da Sorte" passar.

— O próprio rei de Goryeo — resmunguei, sentado na poltrona esperando o vagão esvaziar por completo. Jin fora levado junto com a multidão para o andar superior para prestar depoimento, - até nisso me ignoraram totalmente! - deixando o local vazio — Pétalas para o grande deus Jeongguk — fingi tirar pétalas de um vaso e jogá-las pelo chão, não tinha ninguém me vendo mesmo, me levantei para sair da locomotiva antes que algum funcionário reclamasse — Ave o Coelho da sorte.

— Eu? — dei um grito derrubando meu vaso imaginário. Olhei para trás e lá estava ele, na porta divisória para o vagão ao lado, não muito longe de mim.

— O... Ah.. Q-Que c-como se livrou da multidão? — conseguir falar, resmungando mentalmente comigo mesmo por gaguejar como um idiota.

— Eu tive sorte — "Mas não me diga...", ele puxou sua mochila gigante, tirando o celular de dentro dela, mas a deixou lá, foi orientado deixar bagagens maiores, seriam retiradas depois dos esclarecimentos — A polícia escoltou as pessoas e funcionários para fora, eu aproveitei a deixa e entrei no vagão ao lado. — ele havia colocado as orelhas de coelho novamente, parecia menos envergonhado delas do que quando entrou — Como era mesmo...? "Rei de Goryeo, Ave coelho da sorte..." — eu sentia que estava ficando vermelho, muito vermelho — Eu não te conheço?

— Acho que não.

— Sim! Você é o TaeHyuk?

— Taehyung. — corrigi. Claro que ele errou de propósito.

— Isso! Você foi o apresentador do MMA com Yoongi-hyung.

— Yoongi...? Ah, Suga! — lembrava dele, baixinho, olhos pequenos, com vergonha de apresentar as categorias, mas parecia outra pessoa quando subiu no palco com Jeon Soyeon para apresentar o novo single do DoubleS — Eu queria ele no meu próximo álbum, mas vocês não estavam abertos para negociações por estarem abrindo um selo novo e — porque eu estava falando tanto? Ele provavelmente já sabia de tudo isso — Selo G.C.F, certo? — ele assentiu, passando por mim em direção a porta, era melhor sair também.

No exato momento em que ia sair, quando alcancei o limite para a porta, senti meu pé prender, como se um prego tivesse agarrado a sola do tênis. As portas automáticas começaram a se fechar, um grito ficou entalado na minha garganta quando senti Jeongguk segurar meus ombros e me puxar de uma vez para fora. As portas fecharam de uma vez, num barulho estranho, como se o ferro tivesse esmagado com o impacto. O trem saiu tão rápido - na direção oposta ao acidente - que empurrou nós dois para o lado. Eu nem sabia que trens podiam ir numa velocidade tão alta logo de primeira.

— Meu De- — tropecei em meus próprios pés, caindo no chão e levando-o comigo, caindo sobre meu ombro primeiro antes de bater as costas no chão.

Lucky: e o Coelho da SorteOnde histórias criam vida. Descubra agora