6 - Como deixar as coisas ainda mais complicadas

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Era como se fosse algum tipo de filme de terror. E eu iria ser a primeira pessoa a morrer. Lá estava Guilherme – que eu conhecia – e ao seu lado estava uma menina que eu nunca havia visto na vida. Ela vinha com graça em meio às pessoas bêbadas ao seu redor. Eu sabia que era para ela que Henrique estava olhando. Meio como se estivesse enfeitiçado, hipnotizado. Uma cara de idiota babão. Eu queria dar um murro nele para ver se ele voltava ao seu juízo perfeito. Ela era morena e tinha aquele cabelo ondulado natural que eu achava lindo – e que eu precisava utilizar de bugigangas para tentar deixar o meu cabelo parecido. Ela tinha senso de moda. E eu rezei no fundo do meu coração para ela ser uma pessoa insuportável.

- Olá! – Henrique disse chegando perto dos dois. – Como foi a festa?

- Foi chata! – Eu pude escutar Guilherme falando. Ele já estava com um copo de cerveja na mão. Fiquei pensando em como iria estar o seu fígado, rim depois de alguns anos de bebedeira... Ele olhou para mim e sorriu. Eu retribuí com um sorriso amarelo.

Como se Henrique finalmente me notasse ele me apresentou à sua futura namorada antes mesmo de falar com ela. Ótimo! Ele não iria ser um completo babaca.

- Clarissa, essa aqui é a minha melhor amiga Lorena! – Certo. Fiquei lisonjeada por ele ter dito que eu era a sua melhor amiga e ao mesmo tempo fiquei cabisbaixa. Eu era a melhor amiga. Mais alguém sentiu a geleira da friend zone?

Ela virou para mim – ela era incrivelmente mais baixa do que eu. Nada daquelas mulheres com aquelas pernas longas enormes – e falou:

- Olá! – Não só bastasse isso ela me deu um abraço apertado. O cheiro do cabelo dela invadiu minha narina, meu pensamento, acho que iria sentir aquele cheiro pelo resto da minha vida. – Você é linda!

Oi? Quem fala isso assim que conhece uma pessoa?

- Você também! – Era verdade. Ela era linda, mas eu nunca teria dito isso assim se ela não tivesse falado. Não sabia o que fazer. Olhei para Henrique e ele entendeu que eu estava precisando de algum tipo de ajuda.

- Ah! Letícia quer falar com você! – Ele puxou Clarissa de perto de mim e foi procurar Letícia.

Senti que um peso enorme havia saído do meu peito. Olhei para os dois indo embora. Ali. Naquele mar de pessoas. Mas eu teria que aguentar até o fim. Havia prometido que se ele levasse um fora eu estaria aqui por ele. Afinal, ele não sabia de nada. Não era culpa dele. Eu só tinha que ser a melhor amiga que eu sempre fui. O ar começou a ficar pesado, então me dirigi até a parte aberta do salão de festas. Iria ficar ali até o tempo que fosse. Não queria ver nada.

Assim que o ar fresco bateu no meu rosto eu me senti renovada. Era bom poder respirar novamente. Sem cheiro de fumaça ou de álcool. Olhei para cima e percebi que o céu também estava pesado. Nuvens extremamente cheias estavam chegando. Iria ser uma bela noite chuvosa. Fui para mais perto da parede. Queria observar melhor os outros prédios. É incrível como quem mora em prédio não tem nenhum tipo de privacidade. Eu e Henrique costumávamos olhar para os prédios e procurar por algum apartamento com pessoas interessantes. Era legal observar o que elas faziam. Teve uma vez que presenciamos uma briga de um casal. Eu torcia pela mulher, e ele torcia pelo homem. A mulher era bem raivosa e jogava tudo o que queria nele. Ainda bem que uma tragédia não aconteceu. No final eles fizeram as pazes. Ainda bem, pois já estávamos ligando para a emergência. Acho que sempre quis fazer isso. Sentiria-me nesses filmes legais. E não nesse filme clichê que minha vida se tornou.

- E aê! – Eu sabia de quem era aquela voz. E nossa, eu realmente não queria ele perto de mim naquele exato momento.

- Olá, Guilherme! – Fingi empolgação.

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